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sexta-feira, 8 de dezembro de 2017
Saiba como foi o evento em comemoração aos 40 Anos de Punk no Sesc Pompeia
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| Encontro comemorou também os 35 anos do festival "O Começo do Fim do Mundo" |
Novembro de 2017, e o templo sagrado conhecido como Sesc Pompeia abre as portas para a comemoração dos 40 anos do movimento punk, e os 35 anos da realização do festival e gravação do mítico disco “O Começo do Fim do Mundo”.
Tomando por base sua explosão, marcada com o lançamento, em 1977, dos discos “Never Mind the Bollocks – Here’s the Sex Pistols” e “The Clash”, neste ano temos a comemoração de quatro décadas ininterruptas de contestação do punk, um movimento que desde sempre dita regras, mudou estética, comportamento e fez da música algo acessível e possível a qualquer um, através do “faça você mesmo”.
Mas, é fato que há mais tempo que os 40 anos comemorados, em várias partes do mundo, o ideário punk já pulsava! Se nos Estados Unidos os Ramones já faziam barulho desde 1974, nos subúrbios de São Paulo, jovens inconformados andavam em bandos com suas jaquetas pretas, ouvindo “rock pauleira” e, por volta de 1975/76, já eram punks, mesmo antes do termo ser cunhado.
E, antes de dizer como foram as comemorações, faz-se necessário falar sobre a instituição Sesc, que sempre foi totalmente aberta a todos os tipos de manifestações culturais em todas as suas unidades! Seja mainstream, seja alternativo, sempre terá música, literatura, teatro, artes plásticas, saúde, boa alimentação, educação, esportes, lazer de todo tipo, para todos os públicos e idades, com preços baixos ou muitas vezes de graça. E, especificamente na unidade Pompeia, também multicultural como todas as outras, o punk tem um espaço especial desde sempre! Essas paredes já abrigaram tanta coisa importante do movimento punk, que pode ser chamado de casa!
Pois bem, a festa teve início de modo tímido, na sexta-feira, 18/11, com shows de nomes mais recentes do punk nacional, que possuem o seu público, mas não é o mesmo que queria comemorar 40 anos de festa, que foram os curitibanos do SUGAR KANE, na estrada desde 1997 e os paulistanos do QUESTIONS, desde 2000 como representantes de uma vertente mais pesada, um crossover de hardcore com metal.
A festa para a velharada começou na quinta-feira seguinte, 23/11, com dois nomes clássicos do punk brasileiro: LIXOMANIA & RATOS DE PORÃO, duas bandas que participaram do festival O COMEÇO DO FIM DO MUNDO, em 1982, cujo disco tosquíssimo gravado naquele ano acabou de ganhar uma caprichadíssima reedição, limitada, que conta com faixas bônus e um material gráfico impressionante, a cargo do selo Nada Nada Discos, que vem deliciando colecionadores de todos os cantos com vários relançamentos em vinil, 7”, 12” e cassete!
A LIXOMANIA subiu primeiro ao palco, com uma formação que já está bem azeitada e vem fazendo a alegria dos amigos há alguns anos, que trás Mauro Moreno no vocal, Rogério Martins na guitarra, o excelente ex-garoto, agora responsável pai de família, Luiz Cecílio no baixo e o veterano Miro de Melo na bateria. A banda trás seu velho repertório que vem desde o compacto “Violência & Sobrevivência”, de 1982, além de outras faixas conhecidas, presentes no disco “Não, Obrigado!”, de 2005, e apresenta faixas inéditas que farão parte de um novo disco que está sendo preparado pelos rapazes. Fazem seu papel, show da Lixomania é garantia de diversão e energia, e como boa surpresa, ainda tivemos a participação do Jão, guitarrista dos Ratos de Porão e do Periferia S/A dividindo os vocais com Moreno em “O Punk Rock Não Morreu” – e nunca morrerá.
Os RATOS DE PORÃO estão num estágio de profissionalismo impressionante, João Gordo, Jão, Juninho e Boka fazem um show para não deixar pedra sobre pedra. Sem lançar disco desde 2014, com o ótimo “Século Sinistro”, os Ratos são provavelmente a banda brasileira mais conhecida e bem sucedida do estilo, e recentemente estiveram fazendo mais uma turnê europeia, mas também uma animada turnê pela América Latina, os caras tem méritos e respeito. No show tocaram faixas de toda a carreira, mas em festa de punks velhos, foram as faixas do primeiro disco, “Crucificados Pelo Sistema”, que mais agitaram.
A sexta-feira foi de duas bandas que não participaram do festival de 1982, porém, estão na história como as primeiras bandas punks do Brasil, RESTOS DE NADA e AI-5, relembrando aquele que, dizem, foi o primeiro show do estilo no país, organizado pelo saudoso Kid Vinil, no porão de uma padaria, com chão de terra batida, no Jardim Colorado, Zona Leste de São Paulo, isso em 1979.
O AI-5 é uma das bandas mais obscuras de que se têm notícias, em atividade entre 1978 e 79, gravou uma fita demo precária e sumiu do mapa. Voltou a ser falado em 1995, quando os Ratos de Porão regravaram a faixa “John Travolta” em seu álbum de covers “Feijoada Acidente” e depois quando a mesma música, agora na versão original, apareceu na trilha sonora do documentário “Botinada – A Origem do Punk no Brasil”, de Gastão Moreira.
Eis que em 2017, a banda ressurge, graças, principalmente, ao guitarrista Fausto Celestino, único membro da formação original da banda, que após o término dela fez parte de outra banda icônica, o Centúrias, pioneira no heavy metal nacional e ao Sr. Luiz Calanca, dono da loja e selo Baratos Afins, que tanta coisa já fez pela música brasileira e não para nunca, desta vez lançando em CD aquela fitinha demo que o AI-5 havia deixado perdida lá atrás.
Contando com, além de Fausto, o vocalista Memmeth, Fábio “Sarjeta” Rodarte no baixo e o baterista Marcelo Ladwig, o AI-5 empolgou o público do Sesc Pompeia com o repertório da fita / CD e teve uma pequena participação do jornalista e baterista Régis Tadeu. Excelente aquecimento para a avalanche que estava por vir.
A banda RESTOS DE NADA acabou oficialmente em 2013, com o falecimento precoce de seu guitarrista e fundador Douglas Viscaino, porém, este ano apareceu a oportunidade de um show-tributo no Centro Cultural São Paulo com 50% da banda original, o vocalista Ariel Uliana e o baixista Clemente Nascimento, aquele mesmo dos Inocentes e da Plebe Rude, acompanhados de Luiz Abbondanza na guitarra e Nonô, dos Inocentes, na bateria. O show foi um sucesso estrondoso e resolveram repetir a dose agora nesta celebração do Sesc Pompeia. Sorte de quem presenciou.
Calcada nas letras existencialistas de Clemente, Ariel e Douglas e no som curto, rápido e certeiro, que em 1978 pode ser chamado de um precursor do que viria a ser chamado de hardcore, o show do Restos de Nada é uma celebração que conta com clássicos do punk rock, como “Somos Todos Escravos de Um Balde de Lixo”, “Deixem-me Viver”, “Estrutura de Bronze” ou, talvez a música símbolo do que é o punk rock no Brasil, “Desequilíbrio”, letra do Índio, do Hino Mortal e Condutores de Cadáver, e melodia do Douglas, que encerrou o show de forma apoteótica, com o palco completamente lotado de punks cantado junto até o final. Emocionante!
O sábado veio com bandas que vieram depois da explosão do punk rock, fortemente influenciadas por ele, mas com sonoridade diferenciada, foi a noite pós-punk, dos ótimos PATIFE BAND e AS MERCENÁRIAS.
Liderada por Paulo ‘Patife’ Barnabé e formada por exímios instrumentistas, a banda faz uma mistura de ritmos que incluem o punk rock, com pitadas eruditas e forte pegada jazzística. Se não agradou aos punks mais radicais presentes, foi um prato cheio para quem gosta de música bem executada. Com repertório calcado no excelente álbum “Corredor Polonês”, de 1987, “Poema em Linha Reta”, “Pregador Maldito”, “Tô Tenso” (outra que os Ratos de Porão regravaram no “Feijoada Acidente”), “Big Stomach” ou a ótima versão de “Vida de Operário”, dos Excomungados, fez os fãs felizes. Grande show!
AS MERCENÁRIAS hoje é um trio que traz a baixista / vocalista Sandra Coutinho como única participante original da banda, muito bem acompanhada pela guitarrista Marianne Crestani e pela baterista Pitchu Ferraz, velha conhecida que apareceu de volta à banda. O show tem músicas presentes nos clássicos álbuns “Cadê as Armas” (1986) e “Trashland” (1987), além de várias outras gravadas em demos,a apresentação das meninas é pesada e acelerada, e sempre empolga cantar com elas que “a polícia vem, a polícia vai... a polícia vem, a polícia vai... onde não é chamada”!
Domingo, 26 de novembro de 2017: um dia para ficar na história do punk rock brasileiro! Como foi dito lá no alto, o selo NADA NADA DISCOS, depois de ter feitos reedições luxuosas de inúmeros clássicos, como a coletânea “SUB”, o compacto “Violência e Sobrevivência”, da Lixomania, o “Miséria & Fome”, dos Inocentes, ou as demos das Mercenárias, tudo em vinil, agora acaba de relançar o disco “O COMEÇO DO FIM DO MUNDO”, gravado no mítico festival de 1982, que completa 35 anos agora.
Para tanto, o festival original foi recriado por quem fez parte, desde a réplica do pano de fundo de 1982, até os músicos que se revezaram no palco para tocar o álbum na íntegra! Foi uma festa bonita, emocionante! A “banda fixa” foi formada por Clemente Nascimento (Inocentes) na guitarra, Mingau (do Ultraje a Rigor, e que na época do festival, era guitarrista dos Ratos de Porão), no baixo e Muniz, baterista do FOGO CRUZADO, que abriram a festa com “Pânico em SP”, clássico composto por Clemente.
É uma pena que muitos músicos originais desapareceram, uns morreram, outros caíram no mundo, mas quem ainda continua na ativa, ou não, mas foi localizado, abrilhantou o espetáculo. Mauricinho, vocalista dos Inocentes na época do disco “Grito Suburbano”, em 1982 fazia parte da banda JUÍZO FINAL, e subiu ao palco para cantar a música “Liberdade”.
Na sequência, os vocalistas Wagnão e Anderson mandaram bem em “Faces da Morte” e “Anarquia Organizada”, faixas de sua banda DOSE BRUTAL! Moreno, da Lixomania, na época tinha saído da banda, mas participa deste show cantando músicas de algumas das bandas não localizadas e manda em várias entradas e saídas do palco sons dos Desertores, Negligentes, Passeatas e Psykoze.
O conhecido Ronaldo Passos, guitarrista dos INOCENTES, sobe e explica que no festival original tocava na banda NEURÓTICOS, e como foi o único localizado, coube a ele cantar “Careca”, e mandou muito bem! Clemente que se cuide nos Inocentes!
Chega a vez de Kiss, vocalista do FOGO CRUZADO subir ao palco depois de muitos anos e cantar três músicas da banda, “Ratos do Esgoto”, “União Entre os Punks do Brasil” e “Desemprego”, essas duas últimas com a participação dos atuais guitarrista e baixista da banda, Ari Baltazar (também da banda 365) e Anselmo Monstro (também dos Inocentes), foi um grande momento, quando também lembraram da recente morte do baixista Frango.
Na sequência, sobe Barata, vocalista do DZK, para cantar “Decadência Social”, da banda DECADÊNCIA SOCIAL, que era o DZK original, que da atual formação tinha apenas o baterista Macarrão, e depois trocou de nome. Indião, do HINO MORTAL é chamado ao palco e manda “Câncer”, na sequência chamando Ariel para dividir os vocais em “Desequilíbrio”. Alê, da LIXOMANIA é o próximo, faz discurso, dá seu recado de agradecimento e manda aquela “música de punk pra punk”, canta “Punk!”, jogo ganho.
A ‘mestre de cerimônias’ do evento é a Tina Ramos, que faz todas as apresentações entre uma música e outra, ela é esposa de Ariel e punk velha conhecida de todos, que em 1982 era a ‘repórter punk’ que estava trabalhando no festival, a pedido do escritor Antônio Bivar, um dos responsáveis pela abertura do Sesc ao movimento. Tina chama ao palco as SKIZITAS, Lila e Lucinha, que cantam “Todos Juntos Lutar”. Ariel retorna e faz uma homenagem ao amigo Zorro, compositor, baixista que era da banda M-19, falecido há pouco mais de um ano e canta “19 de Abril”.
Os INOCENTES originais, com dois vocalistas, sobem ao palco: Mauricinho e Ariel, Clemente no baixo e Callegari na guitarra. Faltou o baterista Marcelino assumir as baquetas, estava presente, mas não tocou.
Mingau vai embora e quem assume o baixo é o Val, do CÓLERA, que sobe com Pierre na bateria e Wendel no vocal, quando tocam algumas faixas com Clemente na guitarra. Logo após, sobem Fabião, do OLHO SECO e Vladi do ULSTER.
O show vai chegando ao fim, o palco é uma festa só, está repleto de amigos confraternizando, mas ainda faltava ouvir RATOS DE PORÃO, então Betinho, baterista original e quem deu nome à banda, canta “Vida Ruim”, com palco lotado.
A festa acabou e é difícil descrever tudo o que aconteceu nesta noite, 40 anos de punk rock, e como sempre diz o Ariel, “ainda estamos em movimento”! Que a inconformidade, a rebeldia e a luta, durem muito mais.
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Jornalista e repórter fotográfico, é editor do site Rock On Board, repórter colaborador no site Midiorama e apresentador do programa "ARNews" e "O Papo é Pop" nas rádios Oceânica FM (105.9) e Planet Rock. Também foi Editor-chefe do Portal Rock Press e colunista do blog "Discoteca", da editora Abril. Desde 2005 participa das coberturas de grandes festivais como Rock in Rio, Lollapalooza Brasil, Claro Q é Rock, Monsters Of Rock, Summer Break Festival, Tim Festival, Knotfest, Summer Breeze, Mita Festival entre outros. Na lista de entrevistados, nomes como Black Sabbath, Aerosmith, Queen, Faith No More, The Offspring, Linkin Park, Steve Vai, Legião Urbana e Titãs.
terça-feira, 15 de agosto de 2017
Devotos e Ratos de Porão comprovam influência punk-hardcore no palco do Circo Voador
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| Ratos de Porão retornando ao palco do Circo Voador / Foto: Edu Navega |
E depois de 20 anos a banda lá do Alto do Zé do Pinho de Recife finalmente debuta na Lona do Circo Voador. Sim, Devotos (ex do Ódio) faria um show de abertura para o Ratos de Porão em uma noite arretada e agitada.
Cannibal, vocalista, líder e baixista da banda não escondia sua felicidade em nenhum momento desde a sua entrada no palco, e não só ele como seus parceiros Celo Brown, bateria, e Neilton na guitarra que concentraram todo o repertório no CD de estreia da banda que completou 20 anos este ano “Agora tá Valendo”- tocado na íntegra. E foi resumidamente um show digno de punk rock hardcore de raiz, se é que podemos assim dizer. A casa ainda ia enchendo quando os pernambucanos começaram a despejar no público, animado, diga-se de passagem, as 18 faixas eternizadas no álbum, começando ferozmente com “Formando Opiniões” e “Dia Morto” que já foram bem recebidas pelo público e a roda que se formava desde então. Aquela bateria de início de “Punk Rock Hard Core do Alto José do Pinho” incendiou a casa ainda nos primeiros segundos de execução, e essa música, fez muitos começarem a ouvir o Devotos do Ódio naquela época – como é o meu caso. A banda não deu arrego entre as canções. “Vida de Ferreiro” conseguiu ser mais rápida que a gravação! “Casa de amor e ódio” com sua letra simples e pegada forte “Eu tenho pressa” é um grito de angústia punk – com excelentes guitarras. E ainda no final ainda tivemos “Futuro Inseguro” e uma versão ultrarrápida de “Punk Rock Hard Core do Alto José do Pinho” que encerrou o show. Porém para a alegria da casa a banda volta para o Bis com “Roda Punk”, bom, não precisa dizer que o show foi encerrado da melhor maneira, não? Além de ter sido mais do que um debut e show de abertura: foi o show. Que não demore mais tempo, como 20 anos, para voltar.
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| Cannibal, vocalista do Devotos comandou rodas punk no show / Foto: Edu Navega |
O show é uma espécie de receita de bolo que vai ficando cada dia melhor – e mais duro. E mais sujo. O som é tão pesado, rápido e agressivo que até os fãs mais íntimos se surpreendem. O batera Boka coloca uma velocidade absurda na bateria fazendo com que seus parceiros de banda o acompanhe com a mesma entrega – “Plano Furado”, “Crise Geral” e as caóticas “Exercito de Zumbis” e “Máquina Militar” são exemplos disso – quem estava presente ou se protegeu do pogo eu estava nele; tomava todo o recinto. Jão está longe de fazer feio e faz de sua palhetadas um som brutal de se escutar com seu parceiro Juninho e seu baixo Rickenbacker que faz o chão tremer – a execução de “Banha” do “Carniceira Tropical – 1997” deixou isso bem claro. João Gordo por sua vez descarrega todo seu vocal gutural nas músicas, e ensaios de discursos políticos.
Com toda essa agressividade tivemos explosões sonoras como “Crianças sem Futuro”, execução da guitarra ímpar e “Beber até Morrer” e algumas que fizeram da casa um verdadeiro caos que foi o caso de “Cruficados pelo Sistema” que encerrou a primeira parte do show que ainda teria o bis destruidor com “Aids, Pop, Repressão” e “Igreja Universal”.
Nunca será demais ver o Ratos de Porão em ação. E sim, os tiozinhos sempre surpreendem. Acredite.
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| João Gordo usa a camisa da banda californiana de grindcore, Phobia / Foto: Edu Navega |
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Jornalista e repórter fotográfico, é editor do site Rock On Board, repórter colaborador no site Midiorama e apresentador do programa "ARNews" e "O Papo é Pop" nas rádios Oceânica FM (105.9) e Planet Rock. Também foi Editor-chefe do Portal Rock Press e colunista do blog "Discoteca", da editora Abril. Desde 2005 participa das coberturas de grandes festivais como Rock in Rio, Lollapalooza Brasil, Claro Q é Rock, Monsters Of Rock, Summer Break Festival, Tim Festival, Knotfest, Summer Breeze, Mita Festival entre outros. Na lista de entrevistados, nomes como Black Sabbath, Aerosmith, Queen, Faith No More, The Offspring, Linkin Park, Steve Vai, Legião Urbana e Titãs.
segunda-feira, 26 de setembro de 2016
Ratos de Porão sobre os 25 anos de Anarkophobia: 'disco que representa o final de uma era!'
Foto: Capa de Anarkophobia (RDP) ![]() |
| Capa de Anarkophobia, mais um trabalho assinado por Marcatti |
O ano de 1991 não foi marcado apenas pelo grunge. No Brasil, muita coisa acontecia. O Sepultura lançava Arise, o Korzus saía com Mass Illusion e o Ratos de Porão se sustentava de vez no grande mainstream com Anarkophobia. Após o sucesso de Brasil (lançado em 1989), a expectativa dos fãs era enorme por algo parecido. "O Anarkophobia é um disco que vendeu para cacete. Que tinha uma expectativa grande quando foi lançado. Fora isso, a gente tinha uma maior exposição na mídia também por pertencer a uma gravadora grande na época (Eldorado). Mas a gente nunca gostou de se repetir. Por isso o disco veio da forma que tinha que vir", afirma Jão, guitarrista da banda, em exclusiva ao Rock On Board.
Para muitos fãs, Anarkophobia é um divisor de águas na carreira do Ratos por possuir uma maior influência do thrash. Jão acredita que a maior importância do álbum se dá pelo motivo de ser o último trabalho em seqüência de uma formação que marcou história. "Este disco representa o final de uma era importante em nossa carreira. Não sei se podemos dizer que ele é um divisor de águas no aspecto musical. Mas ele é certamente o último de uma fase muito relevante para o Ratos".
Outro fator importante, é que a partir desse disco a banda passou a conviver com um novo público em seus shows. Além dos fãs antigos, o público headbanger também passou a acompanhar mais os trabalho do Ratos de Porão. "Acho que o nosso público cresceu num todo né?", diz Jão e completa: "Foi perceptível que o público do metal começou a seguir a banda. A molecada do hardcore sempre teve junta e uma parte do público punk, mais maleável, que entendeu qual era do nosso som, também". O guitarrista sabe que a banda perdeu alguns seguidores por se distanciar do punk inicial, mas para ele, isso foi visto de forma normal pelo grupo e não incomodou. "Lógico que teve uma galera mais ortodoxa que torceu o bico para o disco. Mas a verdade é que já estávamos acostumados. Desde a época do 'Crucificados Pelo Sistema', quando a gente apareceu com uma proposta mais hardcore, até mesmo no 'Descanse em Paz', quando trouxemos uma mistura de metal com punk, já tinha gente torcendo o bico. Se a gente fosse esquentar com isso, não faríamos nada de novo, com medo de desagradar alguém".
Em Anarkophobia, a tendência ao metal é evidente. Tanto que foi um disco aclamado na cena banger. Músicas como "Contando os Mortos" e principalmente "Mad Society" trazem os riffs clássicos do gênero, com uma levada mais arrastada que o habitual do Ratos. Para Jão, o fato das músicas serem mais longas, acabou influenciando no resultado final do trabalho. "É evidente que teve uma mudança ali em nossa sonoridade. As músicas tinham uma maior duração, e isso acabou fazendo dele um disco único em nossa discografia". Mesmo assim, o punk continuava presente na mensagem do grupo. É impressionante como algumas letras ainda soam tão atuais. Caso de "Igreja Universal" e "Escravo da T.V.", que até hoje são temas polêmicos nas redes sociais. O guitarrista, no entanto, não vê isso com muita empolgação. "É triste que as letras ainda continuem atuais nos dias de hoje. Isso só mostra que o Brasil parece não ter evoluído tanto. Alguns acontecimentos recentes provam que ainda estamos vivendo um período de alienação completa e lamentável".
Assim como nos discos "Cada Dia Mais Sujo e Agressivo" e "Brasil", Anarkophobia também possui uma versão cantada em inglês. Os formatos traduzidos foram criados apenas para que o público gringo conseguisse entender o que de fato eles estavam dizendo nas letras, já que o tema de protesto era algo que eles não queriam perder. Mas a banda prefere as versões originais, em português. Jão diz: "O problema é que você tem que traduzir algumas coisas que são realmente intraduzíveis. E elas ainda precisam estar encaixadas com a métrica das músicas. Para dizer a verdade, eu não gosto muito dos discos do Ratos em inglês, com exceção do 'Just Another Crime in', que é um disco originalmente em inglês e que não precisou ser traduzido". O guitarrista acredita que se tivesse que fazer isso nos dias de hoje, faria apenas a tradução no encarte mas manteria a gravação com as letras em português, que segundo ele, é o forte do Ratos de Porão.
Na dia 11 de dezembro, o Ratos de Porão vai comemorar os 25 anos de Anarkophobia tocando o disco na íntegra no festival Maniacs Metal Meetings, que acontece na Fazenda Evaristo, em Rio Negrinho (SC), e reunirá nomes como Krisiun, Vulcano, Tuatha de Danann, Violator, Hibria e mais 23 atrações. Fãs de várias cidades como Curitiba (115 km), São Paulo (518 km), Porto Alegre (619 km), Rio de Janeiro (965 km) e Belo Horizonte (1.140 km) já estão preparando excursões.
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Jornalista e repórter fotográfico, é editor do site Rock On Board, repórter colaborador no site Midiorama e apresentador do programa "ARNews" e "O Papo é Pop" nas rádios Oceânica FM (105.9) e Planet Rock. Também foi Editor-chefe do Portal Rock Press e colunista do blog "Discoteca", da editora Abril. Desde 2005 participa das coberturas de grandes festivais como Rock in Rio, Lollapalooza Brasil, Claro Q é Rock, Monsters Of Rock, Summer Break Festival, Tim Festival, Knotfest, Summer Breeze, Mita Festival entre outros. Na lista de entrevistados, nomes como Black Sabbath, Aerosmith, Queen, Faith No More, The Offspring, Linkin Park, Steve Vai, Legião Urbana e Titãs.
quarta-feira, 8 de julho de 2015
Ratos de Porão sai em turnê europeia para apresentar "Século Sinistro"
Com mais de 20 passagens pela Europa, o Ratos de Porão volta ao velho continente para apresentar o aclamado "Século Sinistro" [leia a resenha AQUI]. A nova turnê tem 15 datas confirmadas e começa no próximo dia 24 de julho, na Itália. A banda segue por Suíça, França, Espanha, País Basco, Eslovênia, Eslováquia, República Tcheca (Brutal Assault Fest) e termina no dia 9 de agosto, em Berlim (ALE). Com mais 30 anos de estrada, o Ratos se estabeleceu como uma das bandas mais importantes da história após o lançamento de álbuns clássicos como “Crucificados pelo Sistema” (1984), “Cada Dia Mais Sujo e Agressivo” (1987), “Brasil” (1989) e “Anarkophobia” (1990).
Confira as datas da turnê do Ratos de Porão na Europa:
24/07 – Spazio Polivalente – Cramagna, Itália
25/07 – United as One Fest – Poviglio, Itália
26/07 – La Raje HC Fest – L'Aaquila, Itália
28/07 – L'Usine – Genebra, Suíça
29/07 – Secret Place – Montpellier, França
30/07 – Paberse Matao – Valência, Espanha
31/07 – Sala Zentral – Pamplona, Espanha
01/08 – TBC – Oviedo, Espanha
02/08 – Doka – Donostia, País Basco
04/08 – Walfisch – Freiburg, Alemanha
05/08 – Free & Easy Fest – Munique, Alemanha
06/08 – Punk Rock Holiday Fest – Tolmin, Eslovênia
07/08 – FFUD Fest – Sered, Eslováquia
08/08 – Brutal Assault Fest – Jaromer, República Tcheca
09/08 – Clash – Berlim, Alemanha
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Jornalista e repórter fotográfico, é editor do site Rock On Board, repórter colaborador no site Midiorama e apresentador do programa "ARNews" e "O Papo é Pop" nas rádios Oceânica FM (105.9) e Planet Rock. Também foi Editor-chefe do Portal Rock Press e colunista do blog "Discoteca", da editora Abril. Desde 2005 participa das coberturas de grandes festivais como Rock in Rio, Lollapalooza Brasil, Claro Q é Rock, Monsters Of Rock, Summer Break Festival, Tim Festival, Knotfest, Summer Breeze, Mita Festival entre outros. Na lista de entrevistados, nomes como Black Sabbath, Aerosmith, Queen, Faith No More, The Offspring, Linkin Park, Steve Vai, Legião Urbana e Titãs.
quinta-feira, 28 de maio de 2015
Ratos de Porão volta ao Imperator no início de junho
A terceira edição da festa “ZN em Chamas”, receberá no palco do Imperator, a banda Ratos de Porão. O show acontece no dia 06 de junho e vai contar ainda com a apresentação das bandas Protesto Suburbano e 8MM. Além dos shows, a organização do evento montará uma mini rampa para fazer a alegria dos skatistas que forem ao Imperator - Rua Dias da Cruz, 170, Méier. Os ingressos custam R$80 / R$40 (meia-entrada). A abertura da casa está marcada para as 20h. Para adquirir seu ingresso pela internet, basta clicar AQUI.
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quarta-feira, 20 de maio de 2015
Guitarrista do RDP fala da importância de Marcatti, que tem história contada em livro
Por Bruno Eduardo
Famoso no mundo do rock pela parceria com a banda Ratos de Porão, o quadrinista Marcatti tem a sua trajetória revelada no livro Tinta, suor e suco gástrico, do autor Pedro de Luna. A obra faz parte da série Recordatório, uma coleção lançada pela editora Marsupial, que pretende ajudar a preservar a memória dos quadrinhos brasileiros. A biografia conta a história desse artista, que é considerado um ícone do quadrinho underground - e famoso por abordar temas escatológicos. O autor - que também é quadrinista - garante que o livro deixa uma mensagem relevante sobre a arte independente. "Me identifico muito com a ideologia do Marcatti, de fazer sua arte sem depender de terceiros. Acho que essa essência dele como artista é que faz a diferença".
Com o Ratos de Porão
A parceria com o RDP começou no disco Brasil, considerado o clássico maior da banda. No entanto, Jão, guitarrista do grupo, afirmou que eles já eram fãs do artista antes mesmo de trabalharem juntos. "Nós já conhecíamos o trabalho do Marcatti antes mesmo dele trabalhar com o Ratos de Porão. A gente pirava nos quadrinhos dele" - dando como exemplo, a saga de Gervásio, um de seus personagens mais populares, que mantinha um caso de amor com a própria hemorroida. Para Jão, a grande virtude de Marcatti é que ele não se resume apenas em um segmento. "Marcatti é um artista completo. Ele não se limita em fazer arte de uma maneira apenas. Ele é muito consistente em tudo que faz", elogia.
O valor do quadrinista na história do grupo está refletido no dia a dia dos fãs. O símbolo da banda, criado por ele nos anos oitenta, pode ser visto estampado no fundo de palco nos shows da banda ou em rótulos de cerveja. Segundo o guitarrista, Marcatti conseguiu captar tudo o que banda queria na capa de "Brasil", e citou também a importância de ter um artista responsável por esse tipo de trabalho no rock nacional. Para ele, haviam poucos profissionais dedicados ao gênero. "A capa de Brasil foi um marco para o rock nacional. Geralmente as bandas não conseguiam fazer capas legais porque não tinham um artista disponível na cena. Além disso, a qualidade do Marcatti é indiscutível. Ele conseguiu traduzir perfeitamente o que nós queríamos, tanto em Brasil, quanto em Anarkopobia, que tem uma capa foda também!".
Ratos de Porão em quadrinhos
Além das capas de discos, Marcatti também levou o Ratos de Porão para as bancas de jornais ao criar uma série de gibis do grupo. No entanto, a aventura durou apenas duas edições - o que para Jão, não foi uma grande surpresa, já que as tiragens eram grandes demais para uma banda como o Ratos. "Foi muito louco ver todos nós desenhados como ratos, em histórias que ele inventava da gente na estrada. Uma das coisas mais legais desses gibis, é que até o pessoal que trabalhava com a banda na estrada tinham seus personagens próprios. Pena que não teve continuidade", relembra com orgulho. Após alguns anos distante da banda, Marcatti voltou a contribuir com algumas coletâneas. Ele fez também as capas dos discos Só Crássicos (2000) e No Money No English (2012). Sobre a relação com o quadrinista, Jão afirma que se fosse por ele, Marcatti estaria até hoje fazendo as capas do grupo.
O lançamento de Marcatti - Tinta, suor e suco gástrico, acontece nesta quarta-feira, 20/5, às 18h, na Livraria Cultura Cine Vitória (RJ) - com a presença do autor Pedro de Luna. A livraria fica na Rua Senador Dantas, 45, Cinelândia. Entrada franca.
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Jornalista e repórter fotográfico, é editor do site Rock On Board, repórter colaborador no site Midiorama e apresentador do programa "ARNews" e "O Papo é Pop" nas rádios Oceânica FM (105.9) e Planet Rock. Também foi Editor-chefe do Portal Rock Press e colunista do blog "Discoteca", da editora Abril. Desde 2005 participa das coberturas de grandes festivais como Rock in Rio, Lollapalooza Brasil, Claro Q é Rock, Monsters Of Rock, Summer Break Festival, Tim Festival, Knotfest, Summer Breeze, Mita Festival entre outros. Na lista de entrevistados, nomes como Black Sabbath, Aerosmith, Queen, Faith No More, The Offspring, Linkin Park, Steve Vai, Legião Urbana e Titãs.
domingo, 3 de agosto de 2014
Ratos de Porão + Dead Fish + Test [Circo Voador]
Fotos: Bruno Eduardo
Por Bruno Eduardo
Antes porém, o duo de grindcore paulistano, Test, atraiu a atenção do público com uma destacada apresentação. Formado por João Kombi e Thiago Barata, o Test reproduz o mesmo modelo de palco que consagrou o The White Stripes - um baterista e um vocalista/guitarrista. A semelhança porém, termina por aí. O som dos caras é datado em riffs de death metal tradicional com ritmos sincopados - o que faz lembrar um pouco o Fantômas - projeto de Mike Patton com Dave Lombardo. Apresentando músicas dos elogiados "Carne Humana" (2011) e Árabe Macabre, eles entorpeceram os ouvidos dos presentes com altos decibéis. Para quem possa não saber, o Test ficou conhecido por tocar na porta de grandes shows e viver por aí com os equipamentos dentro de uma Kombi - fazendo pit stops barulhentos. Enquanto a Kombi não estaciona na esquina da sua rua, fique atento ao split Otomanos. O disco é um lançamento conjunto do Test com o D.E.R. - a outra banda do excelente baterista Thiago Barata.
Impossível ver o Dead Fish no palco do Circo Voador sem vir a tona lembranças do show que deu origem ao DVD de 20 anos do grupo. Com um repertório na unha, o grupo - mais uma vez - incendiou a lona do Circo Voador.
Por Bruno Eduardo
A festinha particular de cinco anos da A Grande Roubadas Produções trouxe a dupla Ratos de Porão e Dead Fish ao Circo Voador neste sábado.
Antes porém, o duo de grindcore paulistano, Test, atraiu a atenção do público com uma destacada apresentação. Formado por João Kombi e Thiago Barata, o Test reproduz o mesmo modelo de palco que consagrou o The White Stripes - um baterista e um vocalista/guitarrista. A semelhança porém, termina por aí. O som dos caras é datado em riffs de death metal tradicional com ritmos sincopados - o que faz lembrar um pouco o Fantômas - projeto de Mike Patton com Dave Lombardo. Apresentando músicas dos elogiados "Carne Humana" (2011) e Árabe Macabre, eles entorpeceram os ouvidos dos presentes com altos decibéis. Para quem possa não saber, o Test ficou conhecido por tocar na porta de grandes shows e viver por aí com os equipamentos dentro de uma Kombi - fazendo pit stops barulhentos. Enquanto a Kombi não estaciona na esquina da sua rua, fique atento ao split Otomanos. O disco é um lançamento conjunto do Test com o D.E.R. - a outra banda do excelente baterista Thiago Barata.
Impossível ver o Dead Fish no palco do Circo Voador sem vir a tona lembranças do show que deu origem ao DVD de 20 anos do grupo. Com um repertório na unha, o grupo - mais uma vez - incendiou a lona do Circo Voador.
Iniciando com duas músicas do emblemático Zero e Um ("Siga" e "Sonhos Colonizados"), o Dead Fish meteu o pé na porta e mostrou que ainda é uma das bandas mais legais para se ver ao vivo. Com recorde de saltos na noite, o carismático Rodrigo Lima era o maior exemplo da sintonia entre público-banda. "Vamos lançar o nosso disco em breve. Primeiro temos que resolver uns problemas financeiros", disse - fazendo referência ao recorde de arrecadação no crowdfunding do novo álbum. Deste, eles anunciaram "Hit Veraneio" - hardcore típico, ao estilo do grupo - e contaram ainda com a presença de Reynaldo Cruz, do Plastic Fire, na música "Tão Iguais" [foto ao lado]. Porém, os grandes momentos da noite ficaram por conta da cantoria uníssona de "Mulheres Negras" e no míssel sonoro - com a maior roda punk da noite - "Molotov".
Foi com "Conflito Violento" - do ótimo Século Sinistro - que o Ratos de Porão iniciou uma de suas melhores apresentações no Circo Voador. Tudo bem, o show de hoje não é tão simbólico quanto aquele de 2012 - onde a banda comemorou 30 anos de carreira - e muito menos fatídico como o de 1996. Mesmo assim, não deixa de ser emblemático.
"Não vamos encher o saco de vocês com músicas novas" - afirmou João Gordo logo após a terceira música. O grupo tocaria quatro, ao todo. Levando em consideração que este seria o show de lançamento do novo disco, a escolha em não tocar músicas novas contrariou alguns fãs. Mas era dia de festa! E era um show em homenagem ao humorista Fausto Fanti - falecido esta semana. "Essa música vai homenagem ao amigo que se foi. Um cara muito legal. O show é para ele!", disse Gordo, antes do grupo tocar "Morrer". Já "Grande Bosta" foi dedicada aos que choraram com a derrota do Brasil para a Alemanha na copa do mundo 2014. O palco, que foi invadido durante toda apresentação - fato habitual nos shows de hardcore/punk no Circo Voador - teve danças de todos os tipos, saltos ornamentais, e momento(s) único(s) de topless.
Hinos como "Aids, Pop, Repressão", "Beber até Morrer", e a derradeira "Crise Geral", serviram apenas para evidenciar a relevância do grupo no cenário. Mesmo sendo um dos primeiros do gênero no Brasil a se aventurar no mercado estrangeiro, a importância do Ratos de Porão não é de cunho musical. Ela vai além dos acordes de Jão ou da berraria de Gordo. A obra da banda resgata uma época perdida, em que as bandas se dedicavam à conquista da liberdade de expressão - fazendo protesto honesto, audaz e inteligente. Então não é exagero afirmar que um show do grupo nos dias de hoje - em momento tão difuso entre democracia e limite de direitos - represente o lado genuíno do rock nacional. Sim, foi uma noite histórica! Mas o que você esperava de uma festinha de aniversário da A Grande Roubada Produções?
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Jornalista e repórter fotográfico, é editor do site Rock On Board, repórter colaborador no site Midiorama e apresentador do programa "ARNews" e "O Papo é Pop" nas rádios Oceânica FM (105.9) e Planet Rock. Também foi Editor-chefe do Portal Rock Press e colunista do blog "Discoteca", da editora Abril. Desde 2005 participa das coberturas de grandes festivais como Rock in Rio, Lollapalooza Brasil, Claro Q é Rock, Monsters Of Rock, Summer Break Festival, Tim Festival, Knotfest, Summer Breeze, Mita Festival entre outros. Na lista de entrevistados, nomes como Black Sabbath, Aerosmith, Queen, Faith No More, The Offspring, Linkin Park, Steve Vai, Legião Urbana e Titãs.
quinta-feira, 3 de julho de 2014
RATOS DE PORÃO E DEAD FISH NO CIRCO VOADOR
A Grande Roubada produções comemora cinco anos de vida com uma noite histórica no palco do Circo Voador! Juntos na lona mais famosa do Rio: RATOS DE PORÃO e DEAD FISH.
RATOS DE PORÃO faz o show de lançamento de seu mais novo álbum de estúdio em 08 anos, o atualíssimo “Século Sinistro” [Leia a resenha do Rock On Board] gravado nos moldes antigos em formato analógico e ao mesmo tempo em total sintonia com o Brasil nos dias de hoje, com letras sobre vício digital, manifestações, alienação e Copa do Mundo. O álbum ainda conta com participações especiais dos solos de Moyses Kolesne (Krisiun) e os vocais de Atum, o porco de estimação de João Gordo. “RDP nos traz a única virtude que uma banda precisa pra continuar íntegra durante tanto tempo: Verdade.”
DEAD FISH apresenta algumas das músicas inéditas do novo CD, produzido junto com os fãs através de uma bem sucedida campanha de crowdfunding. Em atividade desde 1991, a banda prepara seu sétimo álbum de estúdio depois de quatro anos sem gravar e marca com a campanha de financiamento coletivo, um retorno ao mundo independente. O disco produzido por Fernando Sanchez será prensado em CD e Vinil e terá 14 faixas, um clássico para álbuns do Dead fish.
A abertura fica por conta da banda TEST - duo paulistano de rock extremo, conhecidos por tocar onde bem entendem, usando uma Kombi e um gerador e montando um palco na frente da fila de shows como Slayer, Iron Maiden e Black Sabbath. Desde que surgiu em 2010, Test já realizou mais de 300 shows e se apresentou no palco de festivais como Abril pro Rock (PE), Porão do Rock (DF) e Obscene Extreme Fest (México).
Entre os shows o Dj residente Wagner Fester agita a pista com um set repleto de clássicos do rock e músicas das principais bandas que passaram pelo evento até hoje fazendo a lona cantar em coro!
RATOS DE PORÃO E DEAD FISH
Data: 02 de Agosto (Sábado)
Horário: 22H
Abertura: TEST (SP)
Pista: Dj Wagner Fester
Horário: 22H
INGRESSOS
1º Lote: R$80 (inteira) /R$40 (promocional/meia-entrada*) ESGOTADO!
2º Lote: R$100 (inteira) / R$50 (promocional/meia-entrada*)
*Ingresso promocional válido com 1kg de alimento ou e-flyer
*Meia-entrada para estudantes, menores de 21 anos e maiores de 60 anos
*Cliente Clube Sou + Rio
PONTOS DE VENDA:
-CIRCO VOADOR-
Endereço: Rua dos Arcos s/n° - Lapa
Terça à Quinta - de 12h às 19h
Sexta - de 12h às 00h (exceto feriados)
Sábado – a partir das 14h
Tel: (21) 2533-0354 (Ramal 211)
Pagamento somente em dinheiro
-LAGOA-
Posto BR Piraquê
Endereço: Avenida Borges de Medeiros, s/nº
(Em frente ao Parque dos Patins)
Pagamento somente com cartão de crédito
-BARRA DA TIJUCA-
Posto BR Mirili
Endereço: Avenida das Américas, 3757
Pagamento somente com cartão de crédito
-VENDAS ONLINE-
RATOS DE PORÃO faz o show de lançamento de seu mais novo álbum de estúdio em 08 anos, o atualíssimo “Século Sinistro” [Leia a resenha do Rock On Board] gravado nos moldes antigos em formato analógico e ao mesmo tempo em total sintonia com o Brasil nos dias de hoje, com letras sobre vício digital, manifestações, alienação e Copa do Mundo. O álbum ainda conta com participações especiais dos solos de Moyses Kolesne (Krisiun) e os vocais de Atum, o porco de estimação de João Gordo. “RDP nos traz a única virtude que uma banda precisa pra continuar íntegra durante tanto tempo: Verdade.”
DEAD FISH apresenta algumas das músicas inéditas do novo CD, produzido junto com os fãs através de uma bem sucedida campanha de crowdfunding. Em atividade desde 1991, a banda prepara seu sétimo álbum de estúdio depois de quatro anos sem gravar e marca com a campanha de financiamento coletivo, um retorno ao mundo independente. O disco produzido por Fernando Sanchez será prensado em CD e Vinil e terá 14 faixas, um clássico para álbuns do Dead fish.
A abertura fica por conta da banda TEST - duo paulistano de rock extremo, conhecidos por tocar onde bem entendem, usando uma Kombi e um gerador e montando um palco na frente da fila de shows como Slayer, Iron Maiden e Black Sabbath. Desde que surgiu em 2010, Test já realizou mais de 300 shows e se apresentou no palco de festivais como Abril pro Rock (PE), Porão do Rock (DF) e Obscene Extreme Fest (México).
Entre os shows o Dj residente Wagner Fester agita a pista com um set repleto de clássicos do rock e músicas das principais bandas que passaram pelo evento até hoje fazendo a lona cantar em coro!
RATOS DE PORÃO E DEAD FISH
Data: 02 de Agosto (Sábado)
Horário: 22H
Abertura: TEST (SP)
Pista: Dj Wagner Fester
Horário: 22H
INGRESSOS
1º Lote: R$80 (inteira) /
2º Lote: R$100 (inteira) / R$50 (promocional/meia-entrada*)
*Ingresso promocional válido com 1kg de alimento ou e-flyer
*Meia-entrada para estudantes, menores de 21 anos e maiores de 60 anos
*Cliente Clube Sou + Rio
http://www.ingresso.com/
PONTOS DE VENDA:
-CIRCO VOADOR-
Endereço: Rua dos Arcos s/n° - Lapa
Terça à Quinta - de 12h às 19h
Sexta - de 12h às 00h (exceto feriados)
Sábado – a partir das 14h
Tel: (21) 2533-0354 (Ramal 211)
Pagamento somente em dinheiro
-LAGOA-
Posto BR Piraquê
Endereço: Avenida Borges de Medeiros, s/nº
(Em frente ao Parque dos Patins)
Pagamento somente com cartão de crédito
-BARRA DA TIJUCA-
Posto BR Mirili
Endereço: Avenida das Américas, 3757
Pagamento somente com cartão de crédito
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Jornalista e repórter fotográfico, é editor do site Rock On Board, repórter colaborador no site Midiorama e apresentador do programa "ARNews" e "O Papo é Pop" nas rádios Oceânica FM (105.9) e Planet Rock. Também foi Editor-chefe do Portal Rock Press e colunista do blog "Discoteca", da editora Abril. Desde 2005 participa das coberturas de grandes festivais como Rock in Rio, Lollapalooza Brasil, Claro Q é Rock, Monsters Of Rock, Summer Break Festival, Tim Festival, Knotfest, Summer Breeze, Mita Festival entre outros. Na lista de entrevistados, nomes como Black Sabbath, Aerosmith, Queen, Faith No More, The Offspring, Linkin Park, Steve Vai, Legião Urbana e Titãs.
sexta-feira, 13 de junho de 2014
DISCOS: RATOS DE PORÃO (SÉCULO SINISTRO)
O tempo passa, o tempo voa, e o R.D.P. está cada dia mais sujo e agressivo! Apesar de nunca ter parado de fazer shows, João Gordo e seus asseclas não lançavam um CD de inéditas há 8 anos. O último foi “Homem Inimigo do Homem”, de 2006 - se descontarmos o split EP com a banda grindcore espanhola Looking For An Answer e a coletânea de sobras de estúdio e faixas raras de 2012 “No Money, No English”.
Pelo visto, os acontecimentos recentes do Brasil deixaram eles inspirados e um novo disco acabou por se fazer necessário: Temos letras vociferando contra a repressão policial nos protestos (“Conflito Violento”); a Copa do Mundo (“Grande Bosta”); o povo que faz justiça com as próprias mãos e sai espancando bandidos por aí (“Sangue e Bunda”, que conta com a participação no mínimo inusitada do porquinho de estimação do João Gordo, Atum, fazendo grunhidos dignos de um filme de terror – mas podem ficar tranquilos, a banda garante no encarte que o suíno não foi maltratado... ainda bem!); gente que se expõe nas redes sociais postando tudo o que faz (“Viciado Digital”); além de contar com um cover corretíssimo dos punks suecos do Anti-Cimex (“Progeria of Power”, que tem na guitarra o ilustre convidado Moyses Kolesne, do Krisiun). Tudo obviamente tocado na velocidade da luz, distorção no talo e gritado furiosamente por João Gordo, que diga-se de passagem, evoluiu muito como letrista (“Boiada pra Bandido” é com certeza uma das melhores letras que o Ratos de Porão já fez), além de estar cantando de um modo mais claro na maioria das músicas, provavelmente porque elas estão muito mais puxadas para o metal do que para o crust dos álbuns anteriores.
O único senão é que, como eles vieram de uma série de discos praticamente perfeitos (“Carniceria Tropical”, o EP “Guerra Civil Canibal”, “Onisciente Coletivo” e o “Homem Inimigo do Homem”), a comparação com os mesmos acaba sendo inevitável e TALVEZ "Século Sinistro" acabe ficando um pouco obscurecido frente aos demais. Quem é fã do RDP já sabe o que esperar e não vai se decepcionar, mas se você nunca ouviu a banda - tem algum roqueiro que se preze no Brasil que ainda não o fez?? -, posso dizer que 'Século Sinistro' é um ótimo cartão de visita.
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Jornalista e repórter fotográfico, é editor do site Rock On Board, repórter colaborador no site Midiorama e apresentador do programa "ARNews" e "O Papo é Pop" nas rádios Oceânica FM (105.9) e Planet Rock. Também foi Editor-chefe do Portal Rock Press e colunista do blog "Discoteca", da editora Abril. Desde 2005 participa das coberturas de grandes festivais como Rock in Rio, Lollapalooza Brasil, Claro Q é Rock, Monsters Of Rock, Summer Break Festival, Tim Festival, Knotfest, Summer Breeze, Mita Festival entre outros. Na lista de entrevistados, nomes como Black Sabbath, Aerosmith, Queen, Faith No More, The Offspring, Linkin Park, Steve Vai, Legião Urbana e Titãs.
quinta-feira, 12 de junho de 2014
OZ Storm Festival com Ratos de Porão e Krisiun
A primeira edição do OZ Storm Festival acontece no dia 28 de junho, no Centro de Eventos Pedro Bortolosso, em Osasco, e traz no seu cast as bandas Krisiun, Ratos de Porão, Korzus, Nervosa, Haavoc e No Way. O grupo liderado por João Gordo acaba de lançar seu décimo quinto álbum de estúdio, "Século Sinistro". Os ingressos já estão à venda em diversos pontos das cidades de São Paulo, Osasco, Carapicuíba, Barueri, Itapevi, Jandira, além da Ticket Brasil (www.ticketbrasil.com.br), e custam R$ 30,00 (1° lote promocional / estudante). Mais informações no serviço abaixo. O OZ Storm Festival é uma parceria com o OZ Rock Fest, conta com o apoio da Secretária de Cultura de Osasco e 89 FM – A Rádio Rock. A produção do evento é da Amplitude Produtora & Studio.
SERVIÇO OZ STORM FESTIVAL
Data: 28 de junho de 2014 – sábado
Local: Centro de Eventos Pedro Bortolosso
End: Av. Visconde de Nova Granada, 513 - Jardim Alvorada (bem próximo a estação de Trem Comandante Sampaio.
Hora: das 14h às 23h
Ingressos: R$ 30,00 (1° lote promocional/estudante)
Classificação: 14 anos somente acompanhado do responsável. Acima de 16 anos, livre
Abertura da casa: 1h antes do início do evento
Acesso para deficientes.
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