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quinta-feira, 30 de março de 2017

Cage The Elephant faz show intenso em sua primeira vez no Rio

Foto: Bruno Eduardo
Cage The Elephant eleva a temperatura em show no Circo Voador
Por Bruno Eduardo

No meio de um mar de cabeças está Matt Shultz. Resgatado pelos seguranças, ele retorna palco descabelado, sem camisa, com as costas arranhadas e sem um de seus sapatos dourados. O vocalista é exatamente o que sobrou dessa primeira apresentação do Cage The Elephant no Rio de Janeiro. 

Essa é a terceira vez do grupo no Brasil, mas apenas a primeira fora da grande São Paulo. A banda formada em Kentucky, e que foi apadrinhada por Dave Grohl nos grandes festivais europeus, demonstra crescimento avassalador nos últimos anos. Tanto que seu disco mais recente, Tell Me I'm Pretty, já leva a batuta de um GRAMMY, como melhor disco rock de 2015. Na apresentação desta noite, a banda divide o repertório neste e em seu melhor trabalho, Melophobia. Ao todo, são catorze músicas das dezenove que formam o setlist do show. Não haveria melhor combinação.

A abertura com "Cry Baby", seguida da quebradeira "In One Ear", mostra a capacidade do Cage The Elephant em entreter plateias em arenas de todos os tamanhos. Num local como o Circo Voador, a coisa pega mais pressão ainda. E tudo isso é conectado por um público sedento, que se espreme, que invade o palco, que canta todas as músicas. Diferente da apresentação no Lolla [saiba como foi AQUI], a banda resolve não só incluir mais canções, mas modifica a ordem. "Aberdeen", faixa composta em homenagem à Kurt Cobain, é inclusa logo no início do show. Essa é apenas uma das duas músicas do segundo disco do grupo (o menos lembrado nesta noite).
Foto: Bruno Eduardo
Matt Shultz, debruçado no palco após ser resgatado pelos seguranças
O palco do Circo Voador é pequeno para Matt Shultz. E fica menor ainda quando várias fãs resolvem subir para agarrar o cantor, que divide o microfone e acha graça quando a uma delas arrisca um stage dive. Aprendiz de Mick Jagger, o vocalista é incansável e rouba a cena. Bate cabeça o tempo inteiro, dança e tenta recuperar fôlego para cantar coisas mais melódicas, como a ótima "Too Late To Say Goodbye" - que é acompanhada pela cantoria dos fãs. É sim, um dos shows mais intensos que o Circo Voador recebeu nos últimos anos. Essa intensidade se faz pela performance de palco da banda (principalmente dos irmãos Shultz) e na força que as canções ganham ao vivo. Um grande exemplo é "Back Against The Wall", que conecta banda e público em um refrão explosivo.

Coube a duas canções de seu melhor disco ("It's Just Forever" e "Come A Little Closer") um fechamento digno antes do bis programado. Que veio mais suave com "Cigarette Daydreams" e uma das mais esperadas da noite, "Shake Me Down". Para encerrar, o rock voraz de "Teeth", com direito ao tradicional mergulho na galera de Matt, que na volta ao palco, se envolveu numa bandeira do Brasil e saiu aclamado. Longe de pirotecnias, telões, elementos eletrônicos, o Cage The Elephant utiliza apenas uma fórmula, que é também a mais funcional para um show de rock: transpiração. Que show meus amigos, que show!
Foto: Bruno Eduardo
Vocalista do Cage The Elephant mergulha no público

domingo, 26 de março de 2017

Lollapalooza 2017: Cage The Elephant, Glass Animals e The 1975

Foto: Camila Cara
O agitado Matt Schultz em show no Lollapalooza
Pela terceira vez no Lollapalooza, o Cage The Elephant já é a banda que mais se apresentou na edição brasileira do festival. Cada vez que aparece por aqui, o grupo aumenta o seu fã-clube consideravelmente. De desconhecidos em 2012, voltaram em 2014 como banda adorada pelos cults. Dessa vez, eles mostram uma faceta mais popular, com canções menos intricadas de seu último disco, Tell Me I'm Pretty. Mesmo com o início forte, onde atacaram de três rocks dos bons ("Cry Baby", "In One Ear" e "Spiderhead"), a banda já dá claros sinais de que está curtindo essa fase mais popular, visto que decidiu apostar em canções que fazem a galera cantar alto durante toda a apresentação, como "Shake Me Down", de seu segundo disco, e a agitada "Mess Around". Músicas como "Telescope", a melódica "Too Late To Say Goodbye" e o novo hit "Cold, Cold, Cold", comprovaram essa inclinação atual da banda em seus repertórios, com músicas mais lentas - pegando como referência seu início garage rock. Com sapatos dourados, o vocalista Matt Schultz, abusa dos trejeitos Mick Jagger e não só corre saltitante de um lado para o outro como quase sempre desce para cantar com os fãs. O guitarrista Brad Schultz, irmão do vocalista, mostra a mesma energia e agitação no palco, tanto que cai na galera logo a primeira música do show. Os melhores momentos dessa boa apresentação no Lolla vieram em faixas do ótimo Melophobia, como "Spiderhead", "It's Just Forever" e o hit "Come Little Closer".
Foto: MRossi
Glass Animals surpreendeu fãs com show agitado no Lolla
Quem ouve o Glass Animals em seus discos, não possui (de verdade mesmo!) a mínima ideia do que eles possam ser ao vivo. Aquele estranho quarteto de Oxford que grava discos no meio da floresta e faz uma junção introspectiva - e até às vezes monótona - de ritmos como R&B, pop, psicodelia e hip hop (com seus devidos excessos), surpreendeu em sua estreia no Brasil. O grupo fez do Lollapalooza uma catarse coletiva, com enxerto de sintetizadores e um agitado Dave Bayley - que parece ter feito escola com Chris Martin (Coldplay). O show da banda é dominado pelos teclados e efeitos em loop e resume de forma certeira essa tendência multifacetada do indie e do público Lolla. O que impressionou também foi a popularidade da banda, que seguiu na boca da galera, que cantou quase todas as músicas com Bayley. Assim foi em "Black Mambo", "Hazey" e "Seasons 2 Episode 3". Quem foi até o palco Ônix, dançou (no bom sentido).
Foto: Camila Cara
O carismático Matty Heally fez a garotada cantar alto no Lolla
Agora, se tem uma banda que caiu no gosto popular das meninas nesse Lolla, essa foi o The 1975. Liderados pelo carismático Matty Heally, o grupo britânico fez uma apresentação concorrida no longínquo Palco Ônix. Com a luz do sol caindo, a iluminação do palco ajudou a criar um "clima" entre fãs e banda. A conexão foi tanta, que na metade da apresentação, Matt já estava em êxtase com a recepção. O 1975, que já havia sido indicado aqui no Rock On Board como um dos 5 shows imperdíveis desse Lolla, traça um som bem peculiar, que une o rock, new wave, pop teen e disco. Com visual estiloso, Matt sabe os segredos de controlar a garotada. Com repertório quase que exclusivamente baseado no segundo disco da banda, o premiado I Like It When You Sleep, for You Are So Beautiful Yet So Unaware of It, o vocalista contou com a ajuda dos fãs para cantar alto hits como "Somebody Else", "A Change Of Heart" e a derradeira do show, "The Sound". 

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

5 shows imperdíveis do Lollapalooza Brasil 2017

Imagem Ilustrativa
O Lollapalooza acontece nos dias 25 e 26 de março em Interlagos
Por Bruno Eduardo

Lollapalooza Brasil está chegando. Pela quarta vez consecutiva, o festival vai acontecer no Autódromo de Interlagos e mantém a diversidade no seu cast como uma marca registrada. Faltando pouco para o início da festa, é chegada aquela hora de começar a garimpar o line up para não correr o risco de perder alguns shows legais. Metallica? The Strokes? Rancid? The Weeknd? Deixe os headliners para depois. Afinal, eles só tocam no final mesmo. A boa é chegar cedo e descobrir algumas joias escondidas nesse baú de entretenimento que é o Lolla. E para ajudar o nosso leitor, decidimos selecionar cinco shows que merecem uma atenção especial. Dentro de tantos nomes, em tantos palcos e horários apertadinhos, eis os nossos escolhidos:

Cage The Elephant

Esta é a terceira vez que o grupo de Kentucky se apresenta no Lollapalooza Brasil. A primeira aconteceu na estreia do festival no Brasil, em 2012. Queridinhos de Dave Grohl (Foo Fighters), o Cage The Elephant possui quatro discos de estúdio e costumam chamar a atenção pelos shows enérgicos. Atualmente, estão divulgando o elogiado 'Tell Me I'm Pretty', que foi produzido por Dan Auerbach, do The Black Keys. A banda se apresenta dia 25, às 16h45, no palco Skol.

Silversun Pickups
Pouco conhecida no Brasil, o Silversun Pickups foi formado em 2002 e já teve várias canções tocadas em séries americanas de sucesso, como The Vampire Diaries, One Tree Hill e The O.C. A banda possui um som cheio de overdubs e guitarras distorcidas, sendo comparada frequentemente ao cultuado The Smashing Pumpkins. Vale conferir! A banda se apresenta dia 26, às 16h, no palco Axe.

Jimmy Eat World

O Jimmy Eat World foi formado nos anos noventa, mas só ganhou notoriedade com o lançamento de "Bleed American". O disco foi lançado em 2001 e teve seu título modificado por causa do atentato de 11 de setembro. No início a banda foi fortemente influenciada por grupos como Blink 182, mas com o decorrer da carreira partiu para o indie rock e rock alternativo, como pode ser conferido em seu último disco, "Integrity Blues", lançado em 2016. A banda se apresenta dia 26, às 15h25, no palco Skol. 

The Outs

Elogiados por ninguém menos que Noel Gallagher (Oasis), o The Outs é uma das bandas mais promissoras da cena carioca. O som do grupo é uma viagem entre referências do rock anos 60 e 70, tendo Beatles e Mutantes como principais fontes. O grupo acaba de gravar seu primeiro disco com letras em português e lançado por um selo (Deck). A banda se apresenta no dia 25, às 13h10, no Palco Onix. 

The 1975

Embora geralmente reconhecido como um grupo de rock alternativo, o The 1975 é um grupo que flerta com outros diversos gêneros, incluindo electro-pop, música eletrônica, guitarra pop e R & B. Entre as maiores influências estão Talking Heads, Prince e My Bloody Valentine. O disco de estreia da banda estreou no topo das paradas e eles começaram a ser presença certa em alguns festivais importantes. A banda se apresenta no dia 25, às 17h30, no palco Ônix.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Confirmado! Cage The Elephant pela primeira vez no Rio!

Foto: Divulgação
Banda se apresenta no Circo Voador em março
O Queremos! anunciou que o Cage the Elephant será uma das atrações do Circo Voador em 2017. A banda se apresenta no dia 29 de março ao lado do Silversun Pickups. Aproveitando que os grupos estarão no Brasil para o Lollapalooza, a produção do Queremos! tratou de agilizar a vinda deles para o Rio de Janeiro. Essa é a terceira vez que o Cage The Elephant vem ao Brasil, e a primeira no Rio. A banda está na estrada divulgando o seu quarto disco de estúdio, Tell Me I'm Pretty. O álbum foi gravado no Easy Eye Sound e teve a produção de Dan Auerbach, do The Black Keys. Após ganhar notoriedade com seu disco de estreia em 2008, o Cage The Elephant chamou a atenção de ninguém menos que Dave Grohl, líder do Foo Fighters. O ex-baterista do Nirvana chegou a tocar bateria em alguns shows com o grupo e indicou-os para Perry Farrel, que acabou incluindo a banda no line up do Lollapalooza. Após lançarem mais um bom disco em 2011 (Thank You, Happy Birthday), o Cage The Elephant conquistou de vez a crítica com Melophobia, que elevou o status do grupo na cena mundial ao ter dois singles em primeiro lugar no Top Alternativo: “Come a Little Closer” e “Cigarette Daydreams”. Com esse disco, o Cage The Elephant veio ao Brasil pela segunda vez, novamente no festival Lollapalooza. Hoje o grupo é formado por Matt Shultz (voz), Brad Shultz (guitarra), Daniel Tichenor (baixo) e Jared Champion (bateria).

Formada em 2002, o Silversun Pickups (abreviada por SSPU) é uma banda de indie-rock de Los Angeles. O primeiro trabalho do grupo foi um EP intitulado Pikul e lançado em 2005, depois lançaram seu primeiro álbum de estúdio, Carnavas, em 2006, seu segundo álbum Swoon em 2009, e em maio de 2012 seu terceiro e mais recente álbum, Neck of The Woods. Algumas músicas deles foram tocadas em séries como: The Vampire Diaries, One Tree Hill e The O.C..

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Novo álbum do Cage The Elephant sai em dezembro

Foto: Divulgação

O Cage the Elephant anunciou o lançamento de seu quarto disco de estúdio, Tell Me I'm Pretty. O álbum foi gravado no Easy Eye Sound, localizado em Nashville, e foi produzido pelo ex-companheiro de turnê, Dan Auerbach, do The Black Keys. O lançamento do disco está marcado para o dia 18 de dezembro, e sairá pelo selo RCA Records. O grupo gravou a maior parte das 10 canções que compõem o novo álbum em apenas um take, tentando capturar a energia crua e frenética da banda em cima do palco. O vocalista Matt Schultz falou sobre o novo disco em um comunicado, e também disse qual foi o objetivo da banda com o novo trabalho de estúdio:

"Com esse álbum, nós queremos ser mais transparentes. Queríamos captar o sentimento de cada canção, e qualquer que seja a resposta emocional que ele provocou, para ser realmente honesto com ele"

O disco anterior, Melophobia, elevou o status da banda na cena mundial ao ter dois singles em primeiro lugar no Top Alternativo, “Come a Little Closer” e “Cigarette Daydreams”. Com esse disco, o Cage The Elephant veio ao Brasil pela segunda vez, novamente no festival Lollapalooza. 

A pré-venda de Tell Me I’m Pretty já começou através do PledgeMusic. Algumas edições especiais incluem folhas contendo as letras escritas manualmente, cartazes da banda e instrumentos assinados pelos membros do Cage the Elephant, além de mais conteúdo. Esse será o primeiro trabalho da banda após a saída do guitarrista Lincoln Parrish. Hoje o grupo é formado por Matt Shultz (voz), Brad Shultz (guitarra), Daniel Tichenor (baixo) e Jared Champion (bateria).

terça-feira, 5 de novembro de 2013

DISCOS: Cage The Elephant (Melophobia)

Foto: Divulgação
CAGE THE ELEPHANT
Melophobia
RCA; 2013
Por Bruno Eduardo


A ramificação dos anos noventa. Nos dois primeiros discos, o Cage The Elephant soube conceber com muita perspicácia, um rock garageiro cheio de transpiração grunge. Certa sonoridade, somada a presença de palco juvenil do quinteto, causou frisson na molecada – comprovado aqui no Brasil com uma apresentação enérgica no Lollapalooza 2012. Em seu terceiro disco, Melophobia, o grupo de Kentucky se desgarra das ‘guitarradas’ e entra de vez em uma colcha de retalhos sonora, que beira a algo já utilizado nos mesmos anos noventa por grupos como Blur, por exemplo.

Em Melophobia, o Cage The Elephant trabalha em território cheio de excentricidades. Contando agora com a inclusão de novos instrumentos (principalmente pianos e metais), eles abusam de ruídos e sonoridades curiosas – às vezes lembram Flaming Lips, em sua fase mais pop. E assim como Wayne Coyne, Matt Schultz também parece ter sido contaminado por essa insanidade contextual – fato constatado em músicas como “Hypocrite”, ou no refrão distorcido do primeiro single “Come Little Closer”. 

Se em Thank You, Happy Birthday (lançado em 2010), o Cage The Elephant chegou a ser comparado com Pixies, seu novo rebento, Melophobia, desmente todas as referências [principalmente no que diz respeito ao grunge]. Hoje, o grupo se tranca em uma gaiola cheia de experimentações sonoras – distanciando-se de vez do mainstream. Ao ouvir novas composições como “Black Widow” – um garage-psicodelico destemido -, fica a certeza que a essência não foi perdida. Caberá apenas aos seus fãs mais ardorosos, decidir se seguirão a banda nos becos do garage rock – porque é para lá que eles querem voltar.