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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Rock in Rio: Sepultura vai fazer o show de encerramento do Palco Sunset

Foto: Divulgação
Sepultura está na estrada divulgando seu novo disco, "Machine Messiah"
O Rock in Rio anunciou o show de encerramento do Palco Sunset nessa edição. O Sepultura vai fechar a noite no último dia do festival (24 de setembro). Sendo assim, a banda poderá contar com toda a estrutura para fazer um show ao seu estilo, promovendo seu novo e ótimo disco, Machine Messiah [leia a resenha AQUI]. Essa será a terceira vez que o grupo se apresenta no Palco Sunset do Rock in Rio. Em 2011, eles fizeram um show acompanhados pelo Tambours du Bronx, repetindo a dose em 2013 no Palco Mundo, mesmo ano em que fizeram a segunda apresentação no Sunset, dessa vez ao lado de Zé Ramalho. O Sepultura começou em 1984, em Belo Horizonte. Desde então, mais de 20 milhões de discos foram vendidos e a banda sobreviveu a rupturas importantes, como a saída de integrantes originais como os irmãos Cavalera (Max, em 1997, e Igor, em 2006). Nada disso, no entanto, impediu que a banda continuasse conquistando fãs no mundo inteiro.

O Rock in Rio está marcado para os dias 15, 16, 17, 21, 22, 23 e 24 de setembro de 2017 e já confirmou as seguintes atrações: Lady Gaga, 5 Seconds of Summer e Ivete Sangalo (15/09), Maroon 5, Fergie e Skank (16/09), Justin Timberlake e Frejat (17/09), Aerosmith e Billy Idol (21/09), Bon Jovi e Alter Bridge (22/09) e Red Hot Chili Peppers (24/09). Os ingressos para o Rock in Rio estarão disponíveis no dia 6 de abril pelo Ingresso.com. 

Nova Cidade do Rock 

Duas vezes mais ampla que a anterior, a nova Cidade do Rock trará mais conforto para todos os visitantes, além de possibilitar o acesso por meio de transporte público direto, a partir de Metrô e BRT, um dos legados olímpicos.

Dentre as melhorias esperadas com o novo espaço, a organização destaca maior facilidade na circulação de público, nas operações de segurança, limpeza e acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida, além de mais banheiros, posições de atendimento nos bares e áreas de sombra.

O público também ganhará muito em termos de facilidade de acesso, com o sistema de transportes que foi testado com sucesso durante os Jogos Olímpicos 2016. Quem sair da Zona Sul, por exemplo, levará pouco mais de 30 minutos para chegar ao Rock in Rio, utilizando o Metrô e BRT. Todo o acesso será facilitado para visitantes de qualquer região, pois o legado olímpico permanece. O novo esquema de transportes permite também que os impactos no trânsito do entorno sejam ainda mais leves. As interdições de vias públicas serão reduzidas a quase zero, permitindo que os moradores da região tenham ainda mais conveniência.

Também será beneficiado o público que vem de fora do Rio de Janeiro, com a ampliação da rede hoteleira ao redor do parque. Em 2015 foi comprovada a importância do festival para o fomento do turismo na cidade. Segundo a RioTur, o festival foi a motivação exclusiva para a vinda de 88,5% dos visitantes no período de sua realização.

Cobertura #rockinrio2017
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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Discos: Sepultura (Machine Messiah)

Foto: Divulgação
Sepultura dá passo à frente com disco ousado e cheio de novidades
SEPULTURA
"Machine Messiah"
Nuclear Blast; 2017
Por Ricardo Cachorrão Flávio


'Machine Messiah' começa de forma louvável, mostrando que o Sepultura não parou no tempo, não se prende nem se importa com a ladainha de velhos integrantes que não cansam de dar declarações polêmicas e não se transformou em cover de si próprio, como é mais do que comum em bandas tão longevas como eles. A faixa título, que abre o disco, é uma constatação cristalina de que a banda não ficou refém do passado. Ela começa lenta, com Derrick Green mostrando que não é apenas um vocalista de berros guturais. Ele aparece cantando de forma limpa e bem postada e a música vai crescendo ganhando ritmo gradual. É uma bela canção. Diferente, mas é Sepultura.

A sequência é pau puro! “I Am the Enemy”, que a banda já havia divulgado ano passado, é um crossover metal-hardcore nervosíssimo, pra tocar o puteiro nos shows e fazer a roda ficar insana! Logo depois, experimentos bem vindos... “Phantom Self”, outra que já havia sido liberada, começa com uma batida de maracatu que me remeteu diretamente à Nação Zumbi, banda que o Sepultura sempre respeitou e chegou a gravar. Mas no desenrolar da canção vamos descobrindo que é muito mais que isso. Há a presença de uma orquestra tunisiana que dá um clima apocalíptico à faixa. Além disso, a cozinha de Paulo Xisto e Eloy Casagrande fazem a cama perfeita para os solos cortantes de Andreas Kisser e a massa sonora vinda dos violinos da orquestra. Grande canção!

De acordo com o release do álbum, entrevistas e o ‘making of’ divulgado pela banda com o andar das gravações, feitas na Suécia, 'Machine Messiah' foi inspirado no uso da tecnologia e no processo de robotização da sociedade. Sua capa é um belíssimo trabalho feito pela filipina Camille Dela Rosa, intitulado “Deus Ex-Machina”, segundo Andreas Kisser, não foi um trabalho feito por encomenda, foi feito há seis anos, mas, na medida para o conceito do álbum que vieram a gravar, ou, o que se pode chamar de casamento perfeito.

É um disco que se deixa ouvir por inteiro, e não há como indicar um ponto alto isolado, já que todas as canções têm seus méritos. Da mesma maneira, não existem pontos negativos no álbum. “Alethea” começa com um excelente trabalho de percussão de Eloy Casagrande, talvez o melhor baterista que a banda já teve. E no embalo vem a 'cacetada' instrumental “Iceberg Dances”, que passa do heavy metal clássico a várias outras influências com uma naturalidade impressionante.

Sworn Oath” aproxima a banda de thrash ao metal convencional, com quilos de teclados deixando um clima grandiloquente, épico. Derrick Green grita forte, e bem colocado e a faixa traz o peso característico da banda, mas sem acelerar. Como diriam os "headbangers malvados", é música para assustar velhinhas indefesas. Já “Resistant Parasites” começa como o velho Sepultura, nervoso, brutal, mas os teclados e orquestrações dão um toque diferenciado no decorrer da canção, que conta também com solo limpo que destoa da base suja e pesada característica da banda, isso é o que eu quis dizer lá no início, o Sepultura não parou no tempo. “Silent Violence” e “Vandals Nest” são porradas certeiras, pra não deixar pedra sobre pedra.

Para fechar esse manifesto ao virtual domínio da máquina sobre o homem, “Cyber God”, que novamente mostra um Derrick Green cantando de forma límpida e mais segura que nunca. Uma bela canção para findar um excelente disco.

Num balanço geral, o Sepultura completa 33 anos maduro e ainda com lenha pra queimar. Enquanto os irmãos Cavalera saem em turnê cantando e tocando Sepultura, e aproveitam para destilar veneno e acusar os remanescentes de negar uma reunião, Andreas, Paulo, Derrick e Eloy trabalham firme e mostram do que são capazes, numa clara evolução desde 'Against' – o primeiro trabalho pós-separação. E sempre é bom lembrar que Derrick Green está completando 20 anos de banda, que é bem mais do que Max cantou com eles. Para os antigos e chatos fãs xiitas, existe a ressalva cristalina de que o Sepultura nunca parou. Quem saiu foi o Max - na época indo contra até mesmo ao inseparável irmão - e Derrick merece maior respeito de todos, pois sempre honrou a banda, seus fãs, e como está mais que constatado neste novo disco: possui qualidade de sobra. 

Que venha a turnê! Que venham novos discos!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

De volta ao Imperator, irmãos Cavalera relembram 'Roots' em noite nostálgica

Foto: Rom Jom
Irmãos Cavalera mandando ver no palco do Imperator
Por Rom jom

“Vamos voltar 20 anos atrás!” Anunciou Max Cavalera na casa de show que foi palco do então lançamento de 'Roots', em 1996. E quis o destino que o mesmo local recebesse o show de aniversário de 20 anos do álbum na turnê “Return to Roots”, onde os remanescentes e irmãos Cavalera tocaram na íntegra o consagrado álbum da era Sepultura. A casa, devidamente lotada, recebeu uma noite digna de celebração ao disco que revolucionou a história do metal. 

Acompanhados dos já conhecidos Marc Rizzo (guitarra) e Tony Campos (baixo) - que também fazem parte das bandas Soulfly e Cavalera Conspiracy -, os irmãos Cavalera entraram no palco colocando tudo abaixo com "Roots Bloody Roots". Já em "Atittude", Max utilizou um berimbau para logo depois enlouquecer os fãs numa explosão de energia e decibéis. O frontman continua liderando a plateia como poucos e pede de forma corriqueira, as famosas rodas de pogo - e é sempre atendido pelos fãs, que fazem a festa do jeito que ele quer. 

Como a banda tocou o álbum inteiro, poderíamos dizer que geralmente há aquelas faixas que você pula no disco (quem nunca fez isso?), mas isso não acontece em 'Roots'. Pelo menos é essa a impressão que o show desta noite passa, pois não há uma música sequer que não seja comemorada pelo público. Lá atrás, Iggor Cavalera, ainda mostra desempenho ímpar em sua atuação, mesmo que muitas das vezes, pelo menos neste show, tenha feito um trabalho, assim digamos, burocrático. Mas não fez feio. Até mesmo quando tocou "Itsári", faixa que tem somente sons indígenas e bateria. Aliás, ainda sobre a música, Max confessou que foi essa faixa que influenciou o Sepultura a gravar o disco com um tema indígena.

Foto: Rom Jom
Max Cavalera atacando de berimbau em "Attitude"
Mas, pancadas não faltaram nesta noite emotiva e barulhenta. É prazeroso poder ver e ouvir outra vez o refrão infalível de "Cut-Throat" e "Ratamahatta" - forte e veloz como de costume. Já "Breed Apart" e "Spit"izeram a galera bater cabeça e formar rodas de pogo de tamanhos descomunais. Até mesmo as faixas menos impactantes, como "Dusted" e "Ambush"”, que diminuíram a euforia do público, foram recebidas com o mesmo carinho dos fãs.

No bis, os irmãos fizeram uma jam apenas com guitarra e bateria e tocaram alguns clássicos, iniciando com "War Pigs" do Sabbath, e partindo para outros hinos antigos, como "Desperate Cry", "Innerself", além de duas versões popularizadas pelo Sepultura nos anos noventa: "Polícia" (cover dos Titãs) e "Orgasmatron" (cover do Motörhead). A noite se encerrou com mais uma da banda de Lemmy Kilmister: "Aces of Spades", mais brutal e rápida como de costume, e com Max livre no palco para colocar a casa abaixo em mais uma execução de "Roots Bloody Roots" (dessa vez bem mais rápida que a primeira).

Após ver toda essa história passada a limpo, o público presente pôde lavar a alma e resgatar memórias da última fase do Sepultura com os irmãos Cavalera juntos. Tudo isso, costurado e devidamente bem acabado em uma grande noite de celebração ao metal.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Imperator recebe irmãos Cavalera tocando 'Roots', clássico do Sepultura, na íntegra

Foto: Divulgação
Iggor e Max Cavalera vão relembrar 'Roots', que completa 20 anos
Nesta quarta-feira (14), o Imperator vai tremer ao som de um dos álbuns mais importantes do metal. Max e Iggor Cavalera estão trazendo ao Brasil a turnê de comemoração dos 20 anos do disco 'Roots', lançado em 1996 pelo Sepultura. Considerado um dos trabalhos mais influentes de todos os tempos, 'Roots' foi também o último com a formação clássica da banda, que na época tinham os irmãos Cavalera, o guitarrista Andreas Kisser e o baixista Paulo Jr. Além do Rio de Janeiro, outras duas cidades recebem a turnê, que tem a produção da HonorSounds: Belo Horizonte (dia 15) e São Paulo (dia 16). O projeto segue por outros países da América Sul e tem datas confirmadas na Argentina (17), Chile (18), Colômbia (20) e México (21). 

'Roots' é o sexto álbum de estúdio do Sepultura. Lançado em fevereiro de 1996, ele marcou época por realizar uma forte fusão de thrash metal, com ritmos tribais e experimentações. Duas músicas ("Itsári" e "Jasco") foram gravadas em uma tribo xavante. Além disso, o disco conta com várias participações especiais, como Carlinhos Brown, Mike Patton (Faith No More) e Jonathan Davis (Korn). Este álbum é considerado um divisor de águas na carreira do Sepultura e tornou-se uma referência para várias bandas que posteriormente formariam o estilo nu metal.

Curiosidades

O álbum chegou à 27ª colocação nas paradas da "Billboard" e no 4º lugar na Inglaterra. Ganhou discos de ouro nos Estados Unidos, Austrália, Canadá, França, Áustria, Holanda e Reino Unido. Estima-se que o álbum tenha ultrapassado 2 milhões de cópias comercializadas no mundo.

O design da capa saiu da fotocópia de uma nota de de mil cruzeiros. Tinha uma roda com motivos tribais nela, que acabou estampada no próprio CD. O rosto do índio na capa também foi tirado da nota. Michael Whelan que trabalhou na capa.

As participações especiais mais exaltadas em 'Roots' são as de Carlinhos Brown na percussão e criação de sons como "Ratamahatta", além dos índios xavantes, criadores de "Itsári". A faixa "Lookaway" conta com Jonathan Davis, do Korn, e Mike Patton, do Faith No More. O DJ Lethal participa nos scratches. Outro convidado foi David Silveria, que ajudou na percussão de "Ratamahatta".

Composta com Carlinhos Brown, "Ratamahatta" traz Mike Patton e Jonathan Davis nos backing vocals. A música é cheia de palavras soltas em português. Em entrevista, Carlinhos Brown falou sobre o processo de composição da música. "Eu tinha na cabeça esse título 'Ratamahatta' e precisava terminar. Max me ajudou. Quando estive em Manhattan, fiquei impressionado com os ratos deles. Parecem com os sariguês [gambás] daqui da Bahia. E sariguê aqui vai para a panela! Só que o pessoal dizia que os ratos de Manhattan não eram bons para comer, porque eram mais sujos. Por isso na letra há as palavras 'garagem', 'biboca' e 'favela'. O rato não está apenas nos grandes centros. Ele está por todos os lugares. Ele está na fubanga, maloca, bocada. Quem é o rato? É o chefe da reciclagem. Isso que quer dizer a música. Fala de um rato de Manhattan que percorre o mundo e se conecta com todos”, disse.

ROOTS NO IMPERATOR
Dia: 14 de Dezembro.
Local: Imperator
Endereço: R. Dias da Cruz, 170 - Meier
Horário: 19h
Classificação etária: 16 anos 
BILHETERIA
Pista 1º lote: R$ 180 (inteira) e R$ 90 (meia) 
Pista 2º lote: R$ 220 (inteira) e R$ 110 (meia) 
Compra pela Internet AQUI

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Mesmo com chuva, Hell in Rio foi uma celebração digna ao metal nacional

Foto: Nem Queiroz
Público se diverte em rodas de pogo no Terreirão do "Rock"
Por Rom Jom

Com uma proposta de apresentar apenas bandas nacionais e com uma estrutura de qualidade, o Hell In Rio fez sua estréia na Cidade Maravilhosa neste último final de semana. Ao todo foram dois dias de muitos shows (bons e de várias vertentes – do rock ao metal) num lugar que sempre foi reduto do samba, o Terreirão do Samba, localizado bem ao lado do então Sambódromo.

A estrutura não poderia ser melhor. O palco tinha uma distância e altura ótimas para o público e podia ser visto facilmente de qualquer lugar, além do som estar muito bom, quando era bem equalizado (no decorrer da matéria vamos falar sobre isso). O local contou com diversas tendas para comida a preços mais acessíveis do que os encontrados normalmente na rua, além da cerveja patrocinadora do evento por R$ 5,00. O espaço é amplo e cabem facilmente 15.000 pessoas, apesar da produção ter calculado em torno de 5.000 para cada dia. Por conta da chuva, daquelas que não dão trégua nem mesmo por 1 minuto, o primeiro dia do festival teve um público pouco abaixo do esperado. De acordo com a produção, tivemos em torno de 3.000 pessoas, e no segundo dia, quando a chuva resolveu ir embora, 4.000. Por ser um lugar pouco explorado para este estilo de som, sendo o primeiro evento de rock/metal a desfilar por aqui, até que o resultado de público foi razoável. A mobilidade urbana é excelente, bem próximo do metrô, trem e terminais de ônibus para todas as zonas da cidade. Realmente foi uma iniciativa importante para este estilo. Facilmente poderia se realizar shows maiores neste lugar.

Importante frisar que haviam muito banheiros disponíveis e tudo de fácil acesso assim como a entrada e saída do evento bem amplas. Até mesmo as tendas de emergência, que foram muito usadas por conta da bebedeira de alguns.

SÁBADO

O primeiro dia de festival foi marcado com muita chuva (mas muita mesmo!), o que deve ter deixado a produção um pouco apreensiva quanto ao público - que chegava muito lentamente ao local. Tanto que a primeira banda, a Reckoning Hour, tocou pontualmente as 16:30 (não houve atrasos nas apresentações desse dia!) e para poucos presentes. A banda apresentou uma boa performance, com destaque para a já conhecida, e excelente, "Eye For Na Eye". A Perc3ption veio em seguida e também sofreu com a falta de público, mas não fez feio. A banda possui um prog metal que agrada um público bem seleto, como na ótima "Surrender", e chegou a apresentar uma música do novo álbum “Magnitude 666” (muito boa por sinal), que mantém as características do grupo com destaque ao peso das guitarras. 

Quando a chuva começou a dar uma trégua veio Satanico Dr Mao e os Espiões Secretos, que trocando em miúdos, é nada mais do que a lendária banda punk paulista Garotos Podres, e bem enfatizada por seu vocalista, e então remanescente - assim como o guitarrista Cacá. O som estava péssimo, alternando de volume a todo momento e muito mal equalizado. A guitarra também estava desafinada e faltou pegada punk ao baterista. Mesmo assim, clássicos não faltaram: "Papai Noel Velho Batuta", com direito a gorro de Natal com o Mao, "Anarkia Oi!" que fez muito marmanjo relembrar o punk dos anos 80, "Johnny", que na época da ditadura foi censurada, e ainda teve tempo para um som novo do ultimo álbum “Contra Coxinhas Renegados Inimigos do Povo” intitulada "Um grito em meio a multidão".

Foto: Nem Queiroz
Henrique Fogaça também é jurado do programa de TV,  Master Chef
Com o cessar da chuva, o público começou a chegar em maior quantidade ao Terreirão, e liderada por Henrique Fogaça (o famoso cozinheiro do Master Chef), o Oitão sobe ao palco com um som pesado, oriundo do punk oitentista, com influencias que lembram Ratos de Porão - citado no fim da apresentação com um cover de "Vida Ruim". Mas se você pensa que a banda só conseguiu destaque por conta da fama de seu vocalista, te digo que estás redondamente enganado: o Oitão é de uma competência ímpar, com destaque para a bateria feroz de Marcelo BA. Com discurso politizado, eles desfilaram agressividade e ótimas canções, como "Pobre Povo" e "Tiro na Rótula" (que de acordo com Fogaça, foi a primeira música da banda). "Faixa de Gaza" é outra que também merece destaque pela sua execução cheia de peso, barulho e rapidez - tudo isso, refletido sempre em enormes rodas de pogo. O fato, é que foi no Oitão que o público começou a chegar mais perto do palco e curtir o festival de verdade. 

Talvez faltem adjetivos para explicar o peso da apresentação do Claustrofobia. Já não é de hoje que o quarteto paulista apresenta um thrash metal violento e de qualidade inigualável. O grupo conseguiu fazer jus ao nome do festival com show 'infernal'. "General World Infection" e "Bastardos do Brasil" iniciaram o show com muita violência. Difícil também é o termo correto para definir o peso dos riffs, principalmente em faixas como "Metal or Die" ou na energética "Metal Maloka". Já o Dead Fish soou como a banda “diferente” do dia. Só que com mais de 25 anos de estrada, a banda não se afrontou e rapidamente impôs sua cartilha hardcore. O público se bateu (no bom sentido) e curtiu o show. Aproveitando-se das letras altamente politizadas, Rodrigo Lima não se conteve, e falou dos resultados da eleição para Prefeito da cidade. Foram 22 músicas sem qualquer intervalo, passando por praticamente toda a carreira do quarteto capixaba. "Urgência" deu início a pauleira e foi logo emendada com "Tão Iguais". Dos primórdios da banda, do álbum 'Sonho Médio' (1999) tivemos "Hoje", mas o grupo deixou de fora a ótima "Mulheres Negras". "Desencontros" agitou os mais 'paradões' e ainda tivemos "Proprietários do Fim do Mundo", que é o tipo de música que a letra sempre será atual, e a forte "Procrastinando", do último álbum (Vitória). O Dead Fish fechou o bom show com “Afasia”.

Foto: Nem Queiroz
Rodrigo Lima e seus saltos acrobáticos no show do Dead Fish
Antes da grande atração da noite, o Almah fez um show sem muitas surpresas e com todos os clichês do metal melódico. Edu Falaschi, que já foi do Angra, apresenta ótimos vocais como na abertura com "Age of Aquarius". E por falar na sua antiga banda, em "Nova Era" do álbum 'Rebirth', teve a participação do atual vocalista Fabio Leoni. Temos de admitir que essa é uma das melhoras canções do Angra. Foi um show honesto que preparou o público para o que vinha a adiante. Headline da noite, o Sepultura, apresentou a sua turnê de aniversário de 30 anos. O que dizer da maior banda de metal brasileiro? Talvez nada. Ainda mais pela apresentação que estava para acontecer. Nada mais do que "Troops of Doom", com uma bateria mais pesada, forte e cruel do que a original, fruto de Eloy Casagrande e sua técnica absurda que dispensa comentários. A carreira da banda reúne tantos clássicos que fica difícil de compactar tudo, mas "Territory" e "Refuse/Resist" não faltaram, esta última, ainda mais agressiva - se é que isso pode ser possível. Derrick se firma cada vez mais como o frontman de atitude e presença. "Beneath the Remains" e "Arise" se fizeram uma sequencia animal. Andreas anunciou "I am the Enemy" como faixa do novo álbum Machine Messiah, a ser lançado em Janeiro - pelo visto, vem coisa impecável por aí. A banda encerrou com "Ratamahatta", que sempre foi pouco tocada nos shows, e claro, "Roots Bloody Roots", lavando a alma dos que resistiram até 03:00 da manhã do domingo.

DOMINGO

O segundo dia foi marcado com atrasos nas apresentações e muitos problemas técnicos na parte do som. Sem chuva, o público se mostrou mais presente desde cedo. O Hatefullmurder abriu o dia com peso e muitos guturais de Angélica Burns. A vocalista bate cabeça durante toda a apresentação e tem ótima sintonia com o público. Se Angélica agitou sem parar, os outros integrantes pareciam tímidos e poderiam entrar mais na vibe da vocalista. Mesmo assim, cações como "My Batlle" - conhecida por muitos presentes - e "Fear My Wrath" mostraram que a banda já está acostumada com grandes palcos. Na seqüência tivemos a Ekros, que mais pareceu uma reunião de amigos num revival de suas próprias músicas, e pior, com pouquíssimo ensaio. Não empolgou e muito menos pareceu fazer diferença. Na sequência tivemos o John Wayne e seu metalcore com ótimos vocais de Fabio figueiredo. Se não fossem os problemas técnicos que a banda enfrentou, a apresentação poderia ter sido muito boa. Mesmo assim, a banda conseguiu conquistar a curiosidade e admiração dos mais atentos. Sendo um show curto e de poucas músicas, vale destacar a derradeira: "Lágrimas". 

Foto: Nem Queiroz
O vocalista Caio MacBeserra comanda o ótimo show do Project 46
Já acostumados com shows em grandes festivais (Rock in Rio), o Project 46 iniciou a apresentação disparando pedradas sonoras de todos os tipos. O público já dominava o Terreirão quando se iniciou o show. Na faixa "Impunidade", o vocalista Caio MacBeserra ordenou duas rodas de pogo, uma de cada lado, para acompanhar o som. E prontamente foi atendido. Dali em diante foi só paulada na orelha, com destaque para as guitarras ultra pesadas de "Violência Gratuita" e "Atrás das Linhas Inimigas". Mas o ponto alto do show foi, sem dúvida, a grande roda que se abriu na ultima música, "Acorda Pra Vida". O Resultado? Veja no youtube alguns vídeos e tire suas conclusões. “Vamos falar de putaria e mulher?”. Foi assim que as Velhas Virgens iniciaram o seu show no Hell in Rio. Em suma, foi aquela sessão rock n’ blues já conhecida nos 30 anos de carreira do grupo. "E com muito orgulho", como dito pelo vocalista Paulão de Carvalho. Na turnê que divulga a coletânea “Garçons do Inferno”, o show reúne todo o repertório clássico, que vai desde a história de um beberrão safado ("De Bar Em Bar Pela Noite") ao caô para se conseguir o que quer ("Só Pra Te Comer"). Ainda teve o discurso feminista - e totalmente coeso - de Juju Kosso na ótima "Mulher Diabo", enfatizando que mulher quer o mesmo que o homem: gozar. Já no hino "Abre Essas Pernas", todos cantaram juntos, e teve direito a um coito entre Paulão e Juju no palco. Resumindo: Rock N' Roll na essência!

"Trash Metal sim, White Metal é o c*****!" afirma com convicção Marcelo Pompeu, vocalista do Korzus em um show de tremer os ossos de tanto peso. Incrível ver o som pesado e coeso que as bandas, no auge dos seus 30 anos de carreira, conseguem executar. O batera Rodrigo Oliveira na cozinha com o baixo violento de Dick Siebert e as excelentes guitarras de Antonio Araujo e Heros Trech fazem o chão do Terreirão tremer. Talvez o show mais pesado do festival. Não faltam bons momentos do show, seja com o coro dos presentes em "Raise Your Soul", ou com o inicio enfurecido de "Never Die". "Vampiro", do último trabalho, define que a banda nunca será uma bandinha normal de metal. Qualidade e peso definem. 

Foto: Nem Queiroz
O baixista Dick Siebert do Korzus num dos melhores shows do festival
O Matanza subiu ao palco carregando o público em suas mãos. Com o passar dos anos, o grupo se tornou uma referência nacional, e também, vem aumentando a velocidade com riffs de trash metal absurdos em suas músicas - marca registrada do guitarrista e compositor da banda Donida, que raramente toca ao vivo com a banda. Os show têm a fórmula de sempre: hardcore com country e pancadaria em músicas de todos seus álbuns. Jimmy e os demais integrantes (que são hoje: Dany Escobar no baixo, Jonas na bateria e o guitarrista Mauricio) não dão sequer um descanso – pelo menos até a caixa da bateria estourar na metade do show. Logo no início tivemos "O Chamado do Bar", "Ressaca sem Fim" e "Arte do Insulto", do álbum 'A Arte do insulto' de 2006. Além de "Clube dos Canalhas", onde o vocalista diz ser membro oficial juntamente com seus fãs. "Pandemonium", "Eu Não Gosto de Ninguém", "Mulher Diabo" e "Pé na Porta e Soco na Cara" também fizeram a alegria do público, num repertório que teve de ser encurtado mas que não prejudicou em nada o show. "Ela roubou meu caminhão" e "Interceptor V6" também estiveram no setlist. Uma apresentação que calou a boca de muita gente que achava que o Matanza não tinha perfil para ser um headline do festival. Mesmo com a maioria do público tendo ido embora após o show do Matanza, o Angra se apresentaria com quase duas horas de atraso - resultado de uma série de fatores que aconteceram durante o dia - para um público que já parecia cansado. A banda não perdeu tempo e simplesmente tratou-se a executar as músicas de forma precisa. A linda "Newborn Me" foi a primeira da noite e já mostrava a qualidade de execução que é uma das principais marcas da banda. O repertório não teve muitas surpresas e seguiu rigorosamente o que eles estão apresentando nessa turnê. Mesmo assim, acabou sendo um show pontual para os fãs e que dignifica a história do Angra, ainda que a formação seja quase toda diferente da que marcou a carreira do grupo.

Foto: Nem Queiroz
Público na grade do Hell in Rio. Festival merece entrar no calendário da cidade

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Saiu a programação do Hell in Rio; confira os horários dos shows

Foto: Divulgação
Sepultura é uma das atrações principais do Hell in Rio
Saiu a programação do Rio Rock Festival – HELL IN RIO, novo grande festival de rock/metal do Brasil, que acontece nos dias 5 e 6 de novembro no Terreirão do Samba, que vai reunir grandes nomes do cenário, como Matanza, Sepultura, Angra, Korzus, Project46, Dead Fish e Almah. Confira abaixo a grade de horários do evento:

Sábado

16h00 - Abertura dos portões
16h30 - Reckoning Hour
17h15 - Perc3ption
18h00 - Dr. Mao
18h45 - Oitão
19h45 - Claustrofobia
20h50 - Hibria
22h00 - Dead Fish
23h30 - Almah
01h00 - Sepultura

Domingo

14h30 - Abertura dos portões
15h00 - Hatefullmurder
15h45 - Eros
16h30 - John Wayne
17h15 - Project 46
18h10 - Velhas Virgens
19h10 - Korzus
20h30 - Angra
22h15 - Matanza

Os ingressos estão à venda pelo site da Ticket Brasil e também podem ser adquiridos em vários pontos autorizados no Rio de Janeiro e São Paulo. Mais informações no serviço abaixo.

Rio Rock Festival – Edição HELL IN RIO
Data: 05 e 06/11/16
Local: Terreirão do Samba – Praça XI
Abertura dos portões: Sábado às 16 horas | Domingo às 14 horas
Capacidade: 15 mil pessoas
Classificação etária: 16 anos
Ingressos Antecipados:
Inteira - R$ 160,00
Meia estudante - R$ 80,00
Meia Social (levando obrigatoriamente 1 KG de alimento) - R$ 80,00
Na hora:
Inteira - R$ 200,00
Meia estudante - R$ 100,00
Meia Social (levando obrigatoriamente 1 KG de alimento) - R$ 100,00
Passaportes Antecipados:
Inteira para os dois dias (Primeiro lote) - R$ 240,00
Meia para os dois dias (Primeiro lote) - R$120,00
Meia Social para os dois dias (levando obrigatoriamente 1 KG de alimento por dia) (Primeiro lote) - R$ 120,00
Passaportes na hora:
(venda somente durante o dia 05/11/2016)
Inteira para os dois dias - R$320,00
Meia para os dois dias - R$160,00
Meia Social para os dois dias (levando obrigatoriamente 1 KG de alimento por dia) - R$ 160,00

Pontos de venda autorizados:
Rio de Janeiro: Hard’n’Heavy (Flamengo), Sempre Musica (Ipanema), Rock For You (Duque de Caxias), Klein Tatoo (Resende), JKing Store (Nova Friburgo)
São Paulo: SP Rock (Galeria do Rock) e Joker (Galeria do Rock)

sábado, 22 de outubro de 2016

Hell in Rio confirma Matanza como novo headliner do festival

Foto: Divulgação
Matanza é mais um grande nome confirmado no Hell in Rio
O Matanza está confirmado como mais um headliner do Rio Rock Festival – HELL IN RIO, novo grande festival de rock/metal do Brasil, que acontece nos dias 5 e 6 de novembro no Terreirão do Samba. Além do Matanza, estão confirmados ainda nomes como Sepultura, Angra, Korzus, Project46, Dead Fish, Almah, Velhas Virgens, Claustrofobia, Hibria, O Satânico Dr. Mao e Os Espiões Secretos, JohnWayne, Oitão, Reckoning Hour, Hatefulmurder, Eros e Perc3ption. Ingressos já estão à venda.

De acordo com a produtora responsável, a proposta do Rio Rock Festival é oferecer um evento de qualidade, com infraestrutura de ponta, e o intuito de movimentar, fomentar e apoiar o cenário heavy metal no país. A THC Produções visa apresentar um novo conceito, valorizando o rock nacional, reunindo nomes já consagrados, além de dar espaço para as grandes revelações do cenário underground.

Em novembro, o calor no Rio de Janeiro é infernal e o nome HELL IN RIO surgiu justamente desta brincadeira com o já tão popular “Hell de Janeiro”, como os cariocas costumam chamar a Cidade Maravilhosa no verão. O público que vier curtir o evento vai se divertir com oito atrações por dia, além de comida e bebida a preços populares”, explicou Eduardo Chamarelli. 

Os ingressos estão à venda pelo site da Ticket Brasil e também podem ser adquiridos em vários pontos autorizados no Rio de Janeiro e São Paulo. Mais informações no serviço abaixo.

Rio Rock Festival – Edição HELL IN RIO
Data: 05 e 06/11/16
Local: Terreirão do Samba – Praça XI
Abertura dos portões: Sábado às 16 horas | Domingo às 14 horas
Capacidade: 15 mil pessoas
Classificação etária: 16 anos
Ingressos Antecipados:
Inteira - R$ 160,00
Meia estudante - R$ 80,00
Meia Social (levando obrigatoriamente 1 KG de alimento) - R$ 80,00
Na hora:
Inteira - R$ 200,00
Meia estudante - R$ 100,00
Meia Social (levando obrigatoriamente 1 KG de alimento) - R$ 100,00
Passaportes Antecipados:
Inteira para os dois dias (Primeiro lote) - R$ 240,00
Meia para os dois dias (Primeiro lote) - R$120,00
Meia Social para os dois dias (levando obrigatoriamente 1 KG de alimento por dia) (Primeiro lote) - R$ 120,00
Passaportes na hora:
(venda somente durante o dia 05/11/2016)
Inteira para os dois dias - R$320,00
Meia para os dois dias - R$160,00
Meia Social para os dois dias (levando obrigatoriamente 1 KG de alimento por dia) - R$ 160,00

Pontos de venda autorizados:
Rio de Janeiro: Hard’n’Heavy (Flamengo), Sempre Musica (Ipanema), Rock For You (Duque de Caxias), Klein Tatoo (Resende), JKing Store (Nova Friburgo)
São Paulo: SP Rock (Galeria do Rock) e Joker (Galeria do Rock)

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Max e Iggor Cavalera confirmam turnê de 20 anos do disco 'Roots' no Brasil

Imagem: Roots
Turnê comemorativa vai passar por RJ, BH e SP em dezembro
Está confirmado. Max e Iggor Cavalera vão trazer ao Brasil a turnê de comemoração dos 20 anos do disco 'Roots', lançado em 1996 pelo Sepultura. O álbum é considerado um dos trabalhos mais influentes de todos os tempos e foi o último com a formação clássica da banda. No Brasil, os shows acontecem no dia 14 de dezembro no Rio de Janeiro (Imperator), no dia 15 em Belo Horizonte e no dia 16 em São Paulo. O projeto segue por outros países da América Sul e tem datas confirmadas na Argentina (17), Chile (18), Colômbia (20) e México (21). Em breve, a Honorsounds, produtora responsável pelos shows no Brasil vai divulgar os locais e informações sobre ingressos. 

'Roots' é o sexto álbum de estúdio do Sepultura. Lançado em fevereiro de 1996, ele marcou época por realizar uma forte fusão de thrash metal, com ritmos tribais e experimentações. Duas músicas ("Itsári" e "Jasco") foram gravadas em uma tribo xavante. Além disso, o disco conta com várias participações especiais, como Carlinhos Brown, Mike Patton (Faith No More) e Jonathan Davis (Korn). Este álbum é considerado um divisor de águas na carreira do Sepultura e tornou-se uma referência para várias bandas que posteriormente formariam o estilo nu metal.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Com Soulfly, Max repassa carreira em noite brutal no Circo Voador

Foto: Alessandra Tolc / Rodie Crew
Soulfly apresenta "Archangel", seu novo disco no Circo Voador
Por Rom Jom

O Soulfly apresentou no Circo Voador a turnê de Archangel, seu décimo álbum de estúdio, com um público “honesto” e vários sucessos do Sepultura. O grupo de Max Cavalera entrou no palco com a pesadíssima “We Sold Our Souls to Metal” primeira faixa de Archangel, aliás, em todo lugar se ouvia dizer que o álbum é o mais pesado da banda, o que realmente se comprova ao vivo - principalmente nas faixas “Archangel”, “Ishtar Rising” e “Sodomites”. O set list ainda contou com grandes músicas que fizeram a história da banda, como “Prophecy”, música de 2014, “Babylon” do álbum Dark Ages (2005) e “Seek N’Strike” do album 3, lançado em 2002.

Mas, como é de praxe nos shows de Max no Brasil, o público bateu cabeça de verdade com músicas da fase áurea do Sepultura. “Refuse Resist” e “Territory”, clássicos do petardo Chaos A.D. vieram quase em sequência na primeira parte do show, que ainda teve “Roots Bloody Roots”. Decano dos palcos, Max sempre faz questão de transformar as apresentações (de qualquer projeto) numa grande celebração de metal. Com mais de trinta anos de estrada, ele mantém as mesmas atitudes que sempre o marcaram nos shows. Continua jogando água no público, motivando os fãs a entrarem nas rodas de pogo e pedindo cantoria forte nos refrões. Ainda que o público fosse bem menor do que as últimas apresentações dele com outros projetos nesta casa de show, a agitação e energia do público não foi diminuída. 

A entrega dos fãs foi constatada nas músicas “Arise e Dead Embryonic Cells”, com recorde em tentativas de stage dives ("mosh"), dando trabalho para os seguranças, que não conseguiram evitar as invasões de palco. Já em “No Hope = Fear / Umbabarauma”, Max iniciou um número intimista, tocando sozinho trechos de músicas, como “Policia”, Orgasmatron”, o clássico do Black Sabbath, “Sabbath Bloody Sabbath”, e “Frontilines”.

No bis, a brutal “Back to the Primitive” seguida de “Troops of Doom” do Sepultura e como já virou costume nesta turnê, uma homenagem ao falecido Lemmy, do Motorhead, com “Aces of Spades” - essa com participação do vocalista da banda paulistana Claustrofobia, que fez a abertura do show. Para encerrar a pancadaria “Jumpdafuckup” com direito a um medley de “Eye Na Eye” do primeiro trabalho da banda, lançado de 1998. Após os agradecimentos, a banda ainda tocou (sem Max no palco) “The Trooper” do Iron Maiden.

Com quase vinte anos de carreira, o Soulfly traz todas as influências que acabou consagrando Max Cavalera na segunda fase do Sepultura. Com quase duas horas de palco, a banda conseguiu misturar groove, trash e reggae (às vezes), sendo acima de tudo pesada, brutal e metal. Ou talvez, um pouco mais do que isso.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Sepultura ganhará disco tributo este ano

Foto: Divulgação

Um CD tributo ao Sepultura está previsto para sair no segundo semestre desse ano. Intitulado Third World Domination: A Tribute to Sepultura, o disco será dedicado ao período seguinte a entrada do vocalista Derrick Green, que começou em 1998. A Eternal Hatred Records confirmou que o produto será disponibilizado em CD, a ser distribuído pela Voice Music, envolto em um luxuoso digipack e slipcase adicional, com direção artística conduzida pelo produtor Marcos Franco, do Revolusom Studios, que ficará encarregado dos processos de mixagem e masterização. Até o momento foram confirmadas as seguintes participações: Supersonic Brewer ("Choke"), Machinaria ("Mindwar"), Aneurose ("Sepulnation"), Bloodwork ("Mask"), Apoteom ("Kairos"), Ódio ao Extremo ("Reza"), Broken Jail ("Apes of God"), Hollow ("Convicted in Life"), No Way ("The Age of the Atheist"), Tribal ("Conform"), Degola ("Trauma of War") e Trieb ("We’ve Lost You").

domingo, 27 de setembro de 2015

Rock in Rio 2015: Metal gótico do Moonspell conquista público presente no Palco Sunset

Foto: Adriana Vieira
Fernando Ribeiro agitou sem parar no palco do Rock in Rio
Por Bruno Eduardo

Pela primeira vez no Rio, o Moonspell apresentou seu metal gótico e cheio de orquestrações ao público presente no Palco Sunset. No repertório, músicas de todos os discos da carreira - com destaque para ótimo Extinct (lançado este ano). A banda lusitana não demorou muito para engrenar. A melódica "Breath (Until We Are No More)", e a participação de Derrick Green do Sepultura logo na segunda música ("Extinct") conquistaram rápido os fãs, que retribuíam batendo cabeça e fazendo as primeiras rodas. "Pensei que só tínhamos uns 10 fãs aqui no Rio. Estou emocionado!", disse o vocalista do grupo, Fernando Ribeiro - que prometeu voltar mais vezes.

A presença de Derrick Green só intensificou ainda mais a apresentação, que teve ainda alguns clássicos bastante conhecidos, como "Territory" e "Roots Bloody Roots". Outra que ganhou destaque por contar com o Derrick - cantando em português - foi "Em Nome do Medo". Do novo disco dos portugueses, a ótima "The Last Of Us" - que tem uma pegada meio Sisters Of Mercy - proporcionou um dos pontos altos do show. A sombria "Vampiria", com teclados expansivos e vocal grave também foi outra que chamou bastante a atenção dos fãs. 

Por se apresentar de tarde, o show ganhou um contraste interessante. A proposta gótica, com roupas pretas e cenografia tenebrosa até que caíram bem a luz do dia. Depois dessa apresentação no Rock in Rio - que terminou ao som de "Full Moon Madness" - ficou a certeza de que o Moonspell precisa voltar o quanto antes para um show exclusivo no Rio de Janeiro. Assim esperam seus "novos" fãs.

Foto: Adriana Vieira
Show teve participação especial de Derrick Green (Sepultura)
Cobertura #rockinrio2015
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terça-feira, 25 de agosto de 2015

DISCOS: SOULFLY (ARCHANGEL)

SOULFLY

Archangel

Nuclear Blast; 2015

Por Lucas Scaliza






É chover no molhado dizer o quanto Roots (1996) do Sepultura influenciou uma geração de metaleiros e a importância do álbum para o reconhecimento da cena thrash metal brasileira no mundo. A começar pela capa: um índio, não apache, não cherokee, mas um índio xavante, do Mato Grosso. Até Mike Patton, do Faith No More, participou deste trabalho. O caso é que era uma experiência thrash com música brasileira muito bem sucedida e marcou a despedida do vocalista Max Cavalera do grupo. O Soulfly, que ele fundaria logo em seguida, tirou a originalidade estética de seu som da experiência com Roots.

Durante nove álbuns, Max e sua banda conseguiu trafegar bem entre o heavy metal e as influências de música de várias partes do mundo. Já Archangel, novo e décimo registro do brasileiro, é muito mais diretamente thrash do que experimental, mas ainda tem laivos de world music que não fazem as características da banda se perderem. É tão direto ao ponto que Archangel é o disco mais curto da discografia, mesmo contando com três faixas bônus.

We Sold Our Souls to Metal”, a porrada que abre o disco, não está entre as faixas mais icônicas do álbum, mas é quase um manifesto, em que Max vocifera que não precisa da sociedade e da “politricks”, pois vendeu sua alma ao metal. Embora a faixa pareça muito direta a princípio, da metade para a frente ela ganha contornos mais sofisticados. “Archangel” é para ninguém colocar defeito: uma base cheia de groove e arrastada, vocal gutural e linha de guitarra solo de Marc Rizzo que faz o instrumental soar até como um teclado.

Sodomites” tem uma tensão nos meios tons e vocais guturais (com reforço de Todd Jones, do Nails) que são muito mais assustadores do que a pauleira de várias passagens do Hammer of the Witches do Cradle of Filth, mesmo sendo uma gravação muito mais direta e crua do que a dos ingleses. O medo, o desespero, a raiva, o assustador se manifestam de maneia muito mais sutil do que uma porradaria supõem. É expressão, não barulho. E o que falar de “Live Life Hard!”, uma música direta e até surpreendente pelo uso do timbre mais agudo da voz de Matt Young (da banda australiana King Parrot) em alguns momentos e as trocas de dinâmica. E o verso “Nobody moves, nobody gets hurt”, citação da música do Yellowman, sendo encaixado ali no meio. Tem dois solos, um de cada guitarrista e dá-lhe bumbo duplo.

Acho importante quando o Soulfly, mesmo em uma mais proposta mais direta, consegue criar boas melodias. E eles também entregam isso com “Ishtar Rising”, uma ótima faixa, boas partes e timbres que deixam sobrar a distorção pesada de metal a cada nota do riff e acorde. Não é veloz, o que traz uma dinâmica mais interessante. “Shamsh”, a mistura de metal com sons transcendentais e um ótimo solo de Rizzo. Fica muito claro que a banda ainda sabe entregar batidas insanas e passagens onde, apesar do extremo ruído da distorção, a harmonia importa.

Deceiver” é o speed metal mais direto de Archangel, não chega aos 3 minutos e entrega uma porrada reta e direta. Se não fosse por alguns coros no refrão, “Titans” seria outra faixa de metal bem direto, parece que feita sob medida para abrir rodas de pogo em apresentações ao vivo.

Bethlem’s Blood” é a primeira que, mesmo cravada no metal cheio de groove do começo ao fim, coloca um naipe de sopro para criar um diferencial e até uma base de violão em curtos trechos em que a guitarra cria um detalhe melódico. “Mother of Dragons”, por outro lado, começa com um ataque violentíssimo e evolui para um longo solo e competente de guitarra até terminar.

De todas as faixas descritas até agora, note que nenhuma incluía de fato sons provenientes de outros tipos de música. No máximo, linhas melódicas que remetiam a sons mais místicos. “Soulfly X”, a última música bônus e a maior do disco, é a faixa que não deixa se perder o talento do grupo para ir além do thrash metal. É uma faixa leve em que Max toca sítara, Marc Rizzo assume o violão flamenco e o músico Roman Cacakhanyan toca o duduk, um instrumento de sopro do Oriente Médio e leste europeu.

Archangel não é o trabalho mais criativo do Soulfly, mas é um thrash metal muito competente. O Angra, com seus últimos três trabalhos, diminuiu consideravelmente a influência de música brasileira em seu som, perdendo um pouco da personalidade original do grupo. Até aí, tudo bem, pois uma banda pode mudar de som a hora que quiser. No entanto, acabou ficando muito parecida com as bandas europeias de power e metal melódico, sem um grande diferencial no segmento. Mesmo com uma carga metal maior e menos música do mundo, o Soulfly ainda não deu indícios de que pretende “mudar” seu som. Vamos acompanhar e ver o que mais vem por aí. (Mas se você quer uma dica de rock com influências regionais, confira o Ellipsism dos bolivianos do Enfant).

Por fim, é bom lembrar que Max está acompanhado pela família Cavalera no novo disco. Além dele nos vocais e na guitarra base, seu filho, Zyon Cavalera, na bateria (ótimo em todas as faixas) e Igor Cavalera Jr. no baixo (embora os baixos de Archangel tenham sido gravados pelo ex-baixista, Tony Campos) e seu enteado, Richie Cavalera (do Incite), cante em “Mother of Dragons”. Até a pequena Roki Cavalera empresta sua voz infantil para os 10 segundos de “You Suffer”.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Show do Sepultura no Rock in Rio em CD, DVD e Blu-Ray

Os fãs vão poder levar para casa a antológica apresentação do Sepultura no Rock in Rio 2013. Para comemorar os 30 anos de estrada, o grupo lança em setembro, nos formatos CD, DVD e Blu-Ray, "Metal Veins - Alive at Rock in Rio" - registro do show realizado no Palco Mundo do Rock in Rio com o Les Tambours Du Bronx. Além do show, há vários extras interessantes, como um documentário exclusivo dos bastidores do show - com imagens de toda a preparação das bandas, cenas de ensaios, passagem de som e relatos dos músicos. O lançamento é uma parceria do Rock in Rio com a MZA Music, a Eagle Rock e a Sony Music Brasil. A apresentação do Sepultura está na lista dos 10 melhores shows do Rock in Rio 2013 no site Rock On Board.


Andreas, durante o show do Rock in Rio 2013 (Foto: Bruno Eduardo)
  
Músicas - Metal Veins - Alive at Rock in Rio

1.Kaiowas
2.Spectrum
3.Refuse / Resist
4.Sepulnation
5.Delirium
6.Fever
7.We've lost you
8.Firestarter (Prodigy cover)
9.Requiem
10.Structure violence
11.Territory
12.Big hands
13.Roots bloody roots

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

ROCK IN RIO 2013 - SEPULTURA

Foto: Bruno Eduardo
Sepultura repete parceria bem sucedida com tambores franceses


Por Bruno Eduardo

A parceria que já tinha sido conferida (e aprovada!) na edição passada do Rock in Rio (em 2011), foi justamente revista em alto e bom som - dessa vez no palco principal. “Até que enfim chegou o dia do Metal, p...!” – comemorou o guitarrista Andreas Kisser, após o grupo entorpecer a Cidade do Rock com o clássico do disco Chaos A.D., “Refuse/Resist”. 

A química entre o Sepultura e o Tambours du Bronx não chegou a surpreender - pelo fato de ser uma fórmula já repetida em outrora -, mas o mesmo não se pode dizer do som! O volume dos PA’s estava no máximo – inclusive abafando o fim da apresentação de Rob Zombie, que acontecia no palco Sunset. E que união de elementos! A impressão que fica ao assistir o show, é que a percussão francesa faz parte do grupo desde sempre. Para quem desconhece a carreira da banda, pode não saber que o Sepultura sempre teve tendências à batidas tribais – vide álbum “Roots”, de 1996 -, e talvez por isso, a fórmula tenha encontrada tamanha cumplicidade.
 
O massacre sonoro ganhou nível de intensidade sem conotação - na execução de “Sepulnation”, e na versão para “Firestarter” do grupo Prodigy. Houve espaço também, para quatro músicas de autoria do Tambours Du Bronx – com destaque para “Big Foot”. Após fazer a cidade do Rock tremer ao som de “Territory”, o Sepultura finalizou com “Roots Bloody Roots”, a sua primeira apresentação no Rock in Rio 2013 – o grupo tocaria ainda no útimo dia, no Palco Sunset, ao lado de Zé Ramalho.    


[Matéria publicada originalmente por Bruno Eduardo no Portal Rock Press]