• Pearl Jam, The Killers e Red Hot Chili Peppers são atrações confirmadas
  • Um resumo da cobertura Rock in Rio em 20 fotos lindas e 20 fatos marcantes
  • Saiba tudo sobre os shows de Foo Fighters e QOTSA no Brasil
  • Leia a resenha de "Desaturating Seven", novo disco do Primus
  • O guitarrista Kennedy Brock falou sobre o novo disco e shows no Brasil
Mostrando postagens com marcador Pedro de Luna. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pedro de Luna. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 4 de julho de 2017

"Colunas", novo livro do jornalista Pedro de Luna, é uma analogia urgente da cena alternativa

Livro será lançado no dia 14 de julho em Niterói com shows de bandas
Por Bruno Eduardo

Uma leitura urgente e necessária. Em um mundo muito mais virtual do que presencial, onde eventos bombam nas mídias sociais e quase sempre "flopam" na hora de fechar as contas, o livro "coLUNAs", do jornalista Pedro de Luna, chega para relembrar uma época onde tudo realmente acontecia e dava certo nas pistas do rock alternativo. A motivação inicial do escritor foi documentar algo que hoje parece impensável para um jovem de 16 anos de idade: a integração social e cultural sem a ajuda da internet. 
"A gente precisa preservar a memória da sociedade, seja ela no aspecto cultural e esportivo, que é o caso do livro. Mas a preocupação da obra não é apenas documentar, mas também analisar os tempos, para que assim gere uma reflexão dos leitores e consequentemente alguma reação, e, principalmente: atitude!", afirma.
Sexto livro de Pedro de Luna, “coLUNAs” compila e analisa textos assinados pelo próprio escritor nos últimos 20 anos, por meio de suas colunas mais famosas: a "Fique LIGado", inspirada na cultuada "Rio Fanzine" - editada por Tom Leão e Carlos Albuquerque no Segundo Caderno de O Globo - e em outra que levava o seu nome, já no final da década passada. A obra chega para tentar mostrar as principais mudanças no esporte e na cultura desde meados dos anos noventa.

Sempre muito antenado às tendências da cena alternativa, Pedro enxergou no livro, uma oportunidade de fomentar opiniões e quem sabe, encontrar respostas para esse novo circuito, tão castrado e abandonado por essa nova geração. "Achei que seria interessante trazer isso à tona num momento de apatia cultural que a gente vive hoje". O escritor aproveita o assunto e cita como exemplos de retração cultural o antigo Bedrock - casa de shows que agitava o circuito niteroiense e que hoje não existe mais - e o movimento Arariboia Rock, que luta anualmente para conseguir apoio e fazer valer seu festival. 
"O Bedrock simboliza muito bem o sinal desses tempos. Uma casa que recebeu os principais nomes do rock nacional nos anos noventa, como Planet Hemp, Raimundos, Charlie Brown Jr., O Rappa e Pavilhão 9, hoje está demolida e o terreno está preparado para subir um novo prédio. Com isso, a gente vê que vinte ano depois, a própria memória da cidade vai sendo literalmente demolida", lamenta. 
A coluna "Fique LIGado" foi publicada justamente no dia em que o Planet Hemp tocaria no (falecido) Bedrock, em Charitas, e o show teve cobertura da equipe do fanzine Shape A, entre eles o fotógrafo Emerson Pinto − hoje conhecido como DJ Nepal. A partir dali, Pedro noticiaria não apenas shows, mas também campeonatos de surf e bodyboard, festas, debates, filmes, convenções de tatuagem e tudo que estivesse ligado à cultura alternativa no Rio de Janeiro. Motivado pela coluna e pelo zine, Pedro formou um raríssimo banco de imagens de skate e shows da cena underground no período de 1996 a 1998, que estão no livro coLUNAs - que será lançado no próximo dia 14 de julho, por comemoração ao Dia Mundial do Rock.

Mas será que suas colunas ainda funcionariam nos dias de hoje, com esse universo de informações descartáveis e opiniões seletivas que vivem as redes sociais? Pedro acredita que sim. Para ele, ainda existe um nicho de pessoas realmente interessadas na propagação dessa cultura alternativa. Mas também ratifica que as colunas deveriam ser muito mais opinativas, com análises embasadas e bem menos factuais, já que para ele, existem muitas colunas egocêntricas nas grandes publicações, com muitas opiniões pessoais e pouca informação. "O meio a meio seria o ideal", acredita. 
"Se o cara não está na sua rede de amigos, ele pode não ver uma postagem sua. E mesmo aqueles que fazem parte, nem sempre conseguem te acompanhar, já que há uma avalanche de postagens ao mesmo tempo nas redes sociais e nem sempre dá para acompanhar tudo"
O lançamento do livro coLUNAs, distribuído pela sua própria editora (Ilustre), será no dia 14 de julho no Convés, em Niterói, com shows das bandas Pedro Marzano, Projeto Secreto e Gilber T & Os Latinos Dançantes. O livro estará a venda por R$ 40 (no dinheiro ou no cartão).

Lançamento do livro coLUNAs
Sexta−feira, 14 de julho de 2017, das 22h às 03h.
Show com as bandas Pedro Marzano, Projeto Secreto e Gilber T & Os Latinos Dançantes. DJs da Rootscidade antes, depois e nos intervalos.
Convés − Rua Cel. Tamarindo 137, Gragoatá, Niterói. Telefone: 3026−6321.
Censura: 18 anos.
Ingresso a R$ 20. Livro a R$ 40.
Informações: 97161−7575 Camilla e 98626−6690 Pedro.
www.facebook.com/nomundodoLUNA

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Guitarrista do RDP fala da importância de Marcatti, que tem história contada em livro


Por Bruno Eduardo

Famoso no mundo do rock pela parceria com a banda Ratos de Porão, o quadrinista Marcatti tem a sua trajetória revelada no livro Tinta, suor e suco gástrico, do autor Pedro de Luna. A obra faz parte da série Recordatório, uma coleção lançada pela editora Marsupial, que pretende ajudar a preservar a memória dos quadrinhos brasileiros. A biografia conta a história desse artista, que é considerado um ícone do quadrinho underground - e famoso por abordar temas escatológicos. O autor - que também é quadrinista - garante que o livro deixa uma mensagem relevante sobre a arte independente. "Me identifico muito com a ideologia do Marcatti, de fazer sua arte sem depender de terceiros. Acho que essa essência dele como artista é que faz a diferença".    

Com o Ratos de Porão 


A parceria com o RDP começou no disco Brasil, considerado o clássico maior da banda. No entanto, Jão, guitarrista do grupo, afirmou que eles já eram fãs do artista antes mesmo de trabalharem juntos. "Nós já conhecíamos o trabalho do Marcatti antes mesmo dele trabalhar com o Ratos de Porão. A gente pirava nos quadrinhos dele" - dando como exemplo, a saga de Gervásio, um de seus personagens mais populares, que mantinha um caso de amor com a própria hemorroida. Para Jão, a grande virtude de Marcatti é que ele não se resume apenas em um segmento. "Marcatti é um artista completo. Ele não se limita em fazer arte de uma maneira apenas. Ele é muito consistente em tudo que faz", elogia.

O valor do quadrinista na história do grupo está refletido no dia a dia dos fãs. O símbolo da banda, criado por ele nos anos oitenta, pode ser visto estampado no fundo de palco nos shows da banda ou em rótulos de cerveja. Segundo o guitarrista, Marcatti conseguiu captar tudo o que banda queria na capa de "Brasil", e citou também a importância de ter um artista responsável por esse tipo de trabalho no rock nacional. Para ele, haviam poucos profissionais dedicados ao gênero. "A capa de Brasil foi um marco para o rock nacional. Geralmente as bandas não conseguiam fazer capas legais porque não tinham um artista disponível na cena. Além disso, a qualidade do Marcatti é indiscutível. Ele conseguiu traduzir perfeitamente o que nós queríamos, tanto em Brasil, quanto em Anarkopobia, que tem uma capa foda também!". 

Ratos de Porão em quadrinhos


Além das capas de discos, Marcatti também levou o Ratos de Porão para as bancas de jornais ao criar uma série de gibis do grupo. No entanto, a aventura durou apenas duas edições - o que para Jão, não foi uma grande surpresa, já que as tiragens eram grandes demais para uma banda como o Ratos. "Foi muito louco ver todos nós desenhados como ratos, em histórias que ele inventava da gente na estrada. Uma das coisas mais legais desses gibis, é que até o pessoal que trabalhava com a banda na estrada tinham seus personagens próprios. Pena que não teve continuidade", relembra com orgulho. Após alguns anos distante da banda, Marcatti voltou a contribuir com algumas coletâneas. Ele fez também as capas dos discos Só Crássicos (2000) e No Money No English (2012). Sobre a relação com o quadrinista, Jão afirma que se fosse por ele, Marcatti estaria até hoje fazendo as capas do grupo. 

O lançamento de Marcatti - Tinta, suor e suco gástrico, acontece nesta quarta-feira, 20/5, às 18h, na Livraria Cultura Cine Vitória (RJ) - com a presença do autor Pedro de Luna. A livraria fica na Rua Senador Dantas, 45, Cinelândia. Entrada franca.