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quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Por que o governo de Niterói ignora as bandas de rock da cidade?

Foto: Deco Cury

Por Bruno Eduardo

Todo mundo sabe: Niterói é um berço histórico do rock nacional. Nas décadas de oitenta e noventa - muito pelo apoio da rádio Fluminense FM, conhecida como "A Maldita" - nomes que se consagrariam no primeiro escalão do rock (como Legião Urbana, Os Paralamas do Sucesso e Kid Abelha) tiveram que atravessar a Baía de Guanabara para se firmar no cenário carioca. 

Talvez por isso, Niterói é a uma das poucas capitais que possui um dia dedicado ao rock. De autoria do vereador Leonardo Giordano (PT), a cidade comemora desde 2007 o seu "Dia Municipal do Rock" em 04 de dezembro. No entanto, a data que deveria ser celebrada e fomentada como um motivador cultural de sua cena local, acaba servindo para evidenciar o descaso do governo com a cena independente.  

Isso vem acontecendo ano após ano. A realização do Festival Arariboia Rock, que comemorou sua décima edição ininterrupta no ano passado, era a forma encontrada de não deixar a data passar em branco. Porém, a cada festival realizado, ficava sempre em destaque a falta de demão por parte de sua prefeitura. Nos últimos dois anos, o festival aconteceu com a ajuda de parceiros, que garantiram o local e cederam estrutura técnica (som e iluminação). Neste ano também não houve - até o momento - qualquer auxílio das partes ligadas ao governo. Mas não faltaram pedidos de ajuda. Os gestores culturais da iniciativa, garantiram que procuraram desde o início do ano, todos os responsáveis do governo para tentar obter pelo menos um auxílio modesto para que o evento não passasse em branco. Algo como estrutura para palco e um valor simbólico para as bandas (em torno de R$2.000). A resposta foi a mesma: falta de recurso e descaso pelo tema. 

Além da falta de apoio à realização do único festival de rock independente do estado, houve tentativas - ignoradas mais uma vez - de reviver projetos antigos como o Rock Na Pista, que leva bandas de rock autorais às pistas de skate em praças públicas da cidade. Uma ótima oportunidade para um governo tão preocupado (sic) com a causa - afinal, dois skate parks foram inaugurados numa cidade onde "cultura" é tema recorrente nos discursos de TV e jornais. 

A coisa fica ainda mais feia quando você fica sabendo que no evento de rock dedicado aos 442 anos da cidade, a única banda da nova safra era de Brasília. Mas nada é tão ruim que não possa piorar. Esta semana vazou nas mídias sociais um suposto documento com o valor acordado para a banda Jota Quest se apresentar no Reveillón da cidade. O valor? R$ 420 mil. 

É triste saber, que num ano tão produtivo para o rock fluminense, com bandas lançando alguns dos melhores discos nacionais - como "Vermelho", da Kapitu, "A Parte Nublada do Céu", da Parola, e "Homem Bom", da Facção Caipira (que inclusive, foi destaque no Programa Supestar, da TV Globo) - não haja qualquer atenção por parte dos responsáveis pela cultura da cidade.

O rock, que já incluiu a cidade sorriso entre os maiores circuitos do país, foi deixado de lado por pessoas que acreditam que valorizar tradições é marginalizar segmentos. A pergunta que fica é: como os filhos de Niterói, da cultura local, tão citados nas propagandas políticas, podem ganhar evidência em um local onde nem os pais se interessam em saber quem são? 

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Nesta sexta, Niterói tem noite rock com Kapitu, Parola e Severe no Bar do Meio


Não vai ser preciso atravessar a Baía de Guanabara para conferir a nova geração de bandas que movimentam a cena do Rio de Janeiro. Nesta sexta-feira (31), a partir das 22h, o Bar do Meio recebe as bandas Kapitu, Parola e Severe para uma noite de muito rock autoral. Considerada um dos principais expoentes do cenário, a Kapitu acaba de lançar o seu segundo disco, "Vermelho" - produzido pelo ex-Planet Hemp, Pedro Garcia, e masterizado em Seattle por Chris Hanzek (Soundgarden, Melvins). A banda também foi uma das finalistas do WebFestValda 2015, que aconteceu na Fundição Progresso, e dividiu palco com grandes nomes do rock, como Pitty e Raimundos. Outra que também vem chamando a atenção na cena, a Parola lançou um dos melhores discos de rock desse ano ("A Parte Nublada do Céu"). Já a Severe foi formada no ano passado e traz influências no nu-metal cerebral de bandas como Deftones, e do rock alternativo. Os ingressos para a primeira edição do Bar do Meio Rock Club ficam em R$20 (homens) e R$10 (mulheres). Lembrando que para conseguir o valor promocional, basta clicar AQUI e colocar o nome na lista. 

KAPITU

SEVERE

PAROLA

Bar do Meio Rock Club com Kapitu, Severe e Parola 
Data:: 31 de julho, 22h
Local: Bar Do Meio
Endereço: Av. Almirante Tamandaré nº 810, Piratininga - Niterói
Ingressos pela internet AQUI

terça-feira, 19 de maio de 2015

DISCOS: PAROLA (A PARTE NUBLADA DO CÉU)

PAROLA - A Parte Nublada do Céu

PAROLA

A Parte Nublada do Céu

Independente; 2015

Por Bruno Eduardo





Só não vê quem não quer. A cena rock carioca vive um momento de efervescência. Bandas sedentas e cheias de tesão estão transpirando arte por todos os cantos - de Piedade à Lapa, de Duque de Caxias à Barra da Tijuca. O resultado desse momento de inquietação você recebe em pequenos drops - seja nas mídias sociais, nos eventos independentes, ou nas redações. No meu caso, caiu no colo esse A Parte Nublada do Céu, disco de estreia do Parola - banda que bate cabeça desde 2010 nos becos cariocas. E já adianto: está aí um candidato aos melhores trabalhos do ano.

O som dos caras é o âmago do rock alternativo - com músicas diretas, vigorosas e cheias de atitude. Pedradas como "Prólogo" e  "Muda" são o modelo funcional e diminuto de um Foo Fighters - só que com letras carregadas por uma árida poesia. "É como um convite pra dançar / A graça está em não saber os passos de cor / O seu "sim" faz um passo, invente". A inserção introspectiva de "Aríete" apenas prepara os ouvidos para um combo de bateria e baixo nervosos, e guitarras que estapeiam os tímpanos mais sensíveis. A Parte Nublada do Céu é uma briga saudável entre o esporro e a melodia. Um exemplo disso é a ótima "Calos de Asfalto Quente", que começa numa levada marca passo, e de repente é impulsionada por guitarras que variam dos riffs metal aos acordes abertos e cheios de efeito. Destaque também para a interpretação de Igor Pestana. Sua voz é repleta de sentimento, o que dá força a refrões como: "O mundo nunca foi meu / O mundo todo é meu" (da já citada "Calos de Asfalto Quente") e "Vira lata que vira a pata na cara do bom e velho amor" (da faixa que abre o disco, "Ruído"). Em "Vanguarda", há um flerte com o rock modernoso de bandas como Incubus, onde vale citar também o excelente jogo de bateria, com pratos abertos e um baixo que canta junto.

A parte final do disco ainda reserva a levada pulsante de "A Última Valsa"; a letra cheia de auto-questionamentos em "Muda"; e o ritmo cadenciado de "Vinagre". Para quem ainda teima em dizer por aí que o rock nacional está mal das pernas, recomendo mais atenção aos becos embrionários do gênero. É lá que a coisa acontece de verdade. O disco de estreia do Parola é mais uma prova concreta de que o rock independente respira em qualquer lugar e tempo - até mesmo entre as nuvens negras, que dão o tom na belíssima capa deste álbum.