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terça-feira, 27 de fevereiro de 2018
No Maracanã, Queens Of The Stone Age mostra renovação em show dançante e igualmente indispensável
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| Josh Homme botou a galera pra dançar no show do QOTSA [Foto: Marcos Hermes] |
O Queens Of The Stone Age não é uma banda tão requisitada a ponto de garantir estádios lotados, mas é quase uma unanimidade entre o público amante do rock. O grupo liderado por Josh Homme representa para muitos o que seria a última fagulha genuína do gênero no mainstream e segue lançando discos regularmente para a alegria de seus fãs. Tanto que eles chegam no Brasil para divulgar seu contestado, porém bom trabalho, 'Villains' (lançado no ano passado). E decidiram apostar em um número renovado e não saudosista, o que mostra a vontade do grupo em permanecer fresca entre os novos e antigos fãs.
As novas canções não só funcionaram bem ao vivo, como modificaram o show da banda de uma forma total. A turnê de 'Villains" deu oportunidade ao grupo de poder abrir mais ainda o seu variado cardápio musical, que vem se expandindo de forma latente desde o início da década passada. Tanto que a escolha do repertório prioriza os dois últimos discos do grupo, abandonando um pouco a crueza embrionária e passando-se a dedicar em arranjos e melodias esparsas. Neste show do Maracanã, são raros os momentos de entorpecimento sonoro com guitarras cuspindo acordes e distorção e gente batendo cabeça por todo lado - como pudemos conferir em 'Millionaire', do petardo 'Songs For The Deaf'.
Mesmo que o início tenha se dado na trinca do disco Like Clockwork... (com destaque para a pancada "My God Is The Sun"), foi na vibe de duas novas - "Feet Don't Fail Me" e a ótima "The Way You Used To Do" - que o grupo convidou o público a pegar carona nessa nova estrada percorrida por eles. O clima é dançante, rockabilly e de melodias macias. Dando ênfase principalmente ao trabalho harmônico e esmero instrumental, algumas canções acabam soando mais pré-dispostas a esse formato escolhido pelo grupo, como é o caso de "Villains Of Circunstance" e a indispensável "Make it Wit Chu" - única de 'Era Vulgaris' neste show. A boa voz de Josh Homme ajuda ainda mais. O cara anda com a imagem arranhada por ter chutado o rosto de uma fotógrafa num show recente da banda, mas esta noite tentou fazer de tudo para ser simpático. Foi comunicativo na medida do possível e mostrou bom humor em alguns momentos. "Essa aqui é sobre foder", disse ao anunciar o clássico "The Lost Art Of Keeping Secret", do álbum Rated R (lançado em 2000).
Embora alguns fãs das antigas tenham sentido falta de alguns clássicos pontuais (como "Feel Good Hit Of The Summer"), outros não não só estiveram presentes, como deram gás ao show em momentos cruciais, como "Little Sister", "Go With The Flow" e a de riff cantarolado pela galera, "No One Knows", com direito a solo de bateria ensurdecedor. No fim, um dos grandes momentos de quase todas as apresentações da banda: o final apoteótico com a devastadora "Songs For The Dead".
Mesmo com um show diferente de suas origens, o Queens Of The Stone Age deu ao público um número altamente relevante, e comprovou, que se depender deles, o rock continuará se renovando por muitos anos ainda, seja com guitarradas cortantes ou levadas suingadas para balançar os quadris.
Mesmo que o início tenha se dado na trinca do disco Like Clockwork... (com destaque para a pancada "My God Is The Sun"), foi na vibe de duas novas - "Feet Don't Fail Me" e a ótima "The Way You Used To Do" - que o grupo convidou o público a pegar carona nessa nova estrada percorrida por eles. O clima é dançante, rockabilly e de melodias macias. Dando ênfase principalmente ao trabalho harmônico e esmero instrumental, algumas canções acabam soando mais pré-dispostas a esse formato escolhido pelo grupo, como é o caso de "Villains Of Circunstance" e a indispensável "Make it Wit Chu" - única de 'Era Vulgaris' neste show. A boa voz de Josh Homme ajuda ainda mais. O cara anda com a imagem arranhada por ter chutado o rosto de uma fotógrafa num show recente da banda, mas esta noite tentou fazer de tudo para ser simpático. Foi comunicativo na medida do possível e mostrou bom humor em alguns momentos. "Essa aqui é sobre foder", disse ao anunciar o clássico "The Lost Art Of Keeping Secret", do álbum Rated R (lançado em 2000).
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| Michael Shuman em ação no palco do Maracanã [Foto: Marcos Hermes] |
Mesmo com um show diferente de suas origens, o Queens Of The Stone Age deu ao público um número altamente relevante, e comprovou, que se depender deles, o rock continuará se renovando por muitos anos ainda, seja com guitarradas cortantes ou levadas suingadas para balançar os quadris.
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Jornalista e repórter fotográfico, é editor do site Rock On Board, repórter colaborador no site Midiorama e apresentador do programa "ARNews" e "O Papo é Pop" nas rádios Oceânica FM (105.9) e Planet Rock. Também foi Editor-chefe do Portal Rock Press e colunista do blog "Discoteca", da editora Abril. Desde 2005 participa das coberturas de grandes festivais como Rock in Rio, Lollapalooza Brasil, Claro Q é Rock, Monsters Of Rock, Summer Break Festival, Tim Festival, Knotfest, Summer Breeze, Mita Festival entre outros. Na lista de entrevistados, nomes como Black Sabbath, Aerosmith, Queen, Faith No More, The Offspring, Linkin Park, Steve Vai, Legião Urbana e Titãs.
terça-feira, 17 de outubro de 2017
Aberta a venda de ingressos para os shows de Foo Fighters e Queens Of The Stone Age no Brasil
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| Mega turnê passa por RJ, SP, Curitiba e Porto Alegre |
Queens of the Stone Age e Foo Fighters chegam ao Brasil no início de 2018 para divulgar seus novos - e bons - álbuns. Em agosto, a banda de Josh Homme lançou "Villains", o sétimo disco da banda e que conta com uma sonoridade mais dançante [leia a resenha AQUI]. Já o Foo Fighters lançou no início de setembro "Concrete And Gold", produzido por Greg Kurstin e que conta com diversas participações especias, como Paul McCartney [leia a resenha AQUI]. As bandas tocam no Rio de Janeiro (25/02), São Paulo (27/02), Curitiba (2/3) e Porto Alegre (4/3).
RIO DE JANEIRO
Data: 25 de fevereiro de 2018
Local: Estádio do Maracanã
Valores dos Ingressos:
Pista Premium / Bud Zone - R$ 720 (inteira) / R$ 360 (meia)
Cadeira Maracanã Mais - R$ 560 (inteira) / R$ 280 (meia)
Cadeira inferior lounge leste - R$ 520 (inteira) / R$ 260 (meia)
Cadeira inferior leste - R$ 460 (inteira) / R$ 230 (meia)
Cadeira inferior oeste - R$ 460 (inteira) / R$ 230 (meia)
Cadeira inferior leste - R$ 360 (inteira) / R$ 180 (meia)
Pista - R$ 390 (inteira) / R$ 195 (meia)
Cadeira inferior sul - R$ 260 (inteira) / R$ 130 (meia)
Cadeira superior sul - R$ 220 (inteira) / R$ 110 (meia)
Cadeira superior nível 5 - R$ 220 (inteira) / R$ 110 (meia)
SÃO PAULO
Data: 27 de fevereiro de 2018
Local: Allianz Parque
Endereço: Av. Francisco Matarazzo, 1705 – Água Branca, 200
Valores dos Ingressos:
Pista Premium / Bud Zone - R$ 740 (inteira) / R$ 370 (meia)
Pista - R$ 390 (inteira) / R$ 195 (meia)
Cadeira inferior - R$ 490 (inteira) / R$ 245 (meia)
Cadeira Superior - R$ 270 (inteira) / R$ 135 (meia)
CURITIBA
Data: 02 de março de 2018
Local: Pedreira Paulo Leminski – Parque das Pedreiras
Endereço: R. João Gava, 970 – Bairro Abranches
Valores dos Ingressos:
Pista Premium/ Bud Zone - R$ 880 (inteira) / R$ 440 (meia)
Pista - R$ 440 (inteira) / R$ 220 (meia)
Camarotes - R$ 800 (inteira) / R$ 400 (meia)
PORTO ALEGRE
Data: 04 de março de 2018
Local: Estádio Beira-Rio
Av. Padre Cacique, 891 – Praia de Belas
Valores dos Ingressos:
Pista Premium / Bud Zone - R$ 680 (inteira) / R$ 340 (meia)
Pista - R$ 360 (inteira) / R$ 180 (meia)
Cadeira inferior - R$ 420 (inteira) / R$ 210 (meia)
Cadeira superior - R$ 250 (inteira) / R$ 125 (meia)
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Jornalista e repórter fotográfico, é editor do site Rock On Board, repórter colaborador no site Midiorama e apresentador do programa "ARNews" e "O Papo é Pop" nas rádios Oceânica FM (105.9) e Planet Rock. Também foi Editor-chefe do Portal Rock Press e colunista do blog "Discoteca", da editora Abril. Desde 2005 participa das coberturas de grandes festivais como Rock in Rio, Lollapalooza Brasil, Claro Q é Rock, Monsters Of Rock, Summer Break Festival, Tim Festival, Knotfest, Summer Breeze, Mita Festival entre outros. Na lista de entrevistados, nomes como Black Sabbath, Aerosmith, Queen, Faith No More, The Offspring, Linkin Park, Steve Vai, Legião Urbana e Titãs.
segunda-feira, 21 de agosto de 2017
Com a categoria de sempre, Queens Of The Stone Age prioriza a diversão em "Villains"
"Villains"
Matador; 2017
Por Lucas Scaliza
O QOTSA é uma banda que fez diversos discos divertidos, mesmo que a utilização dos instrumentos, sobretudo das guitarras, fosse um tantinho insano perto de outras experiências mais quadradas. Acho sim o primeiro disco deles (de 1998) bem consistente, mas se libertaram muito mais em Rated R (2000), Songs For The Deaf (2002), Lullabies To Paralyze (2005), formando uma quadra de discos tão boa quanto os quatro primeiros do Black Sabbath, por exemplo. Ainda hoje me pego ouvindo material desses discos (e de Era Vulgaris) e pensando como investiram em ideias diferentes em termos de rock.
Quando a dançante “The Way You Used To Do” foi lançada, inaugurando Villains, vi diversos fãs assustados com a pegada mais animada e ritmo para requebrar vestindo jaqueta de couro, muitos se perguntando onde estaria aquele tom mais sóbrio que predominava em …Like Clockwork (2013). Percebi então como há fãs novos da banda, criados pelo intervalo entre EV e …LC. 'Villains' talvez não devesse causar tanto espanto, já que a diversão sempre predominou no core do QOTSA – mas eu entendo quem ama o clima sério e apocalíptico do álbum anterior, pois é um álbum grandioso, melhor que Villains, afinal.
O caso é que Villains mantém a consistência e o charme da banda, retomando em uma época sombria um pouco da despretensiosidade de outrora. “Feet Don’t Fail Me Now” é uma das faixas mais instigantes que a banda já gravou, com uma ótima divisão rítmica de guitarras e riffs, entrevendo que a dança aqui do disco deriva ainda um pouco do kautrock que pareceu inspirar a banda em 2007. O primeiro single de fato soa melhor no contexto do disco e, depois de um tempo, você nem liga mais para as palmas na mix acompanhando seus passos. Mas caso você não se renda a alguns passos de twist (do século 21), pode se deixar levar pelo rockabilly de “Head Like a Haunted House”.
No meio do caminho, percebe que mais importante que as guitarras de Homme, Dean Fertita e Troy Van Leeuwen é o baixo de Michael Shuman. São diversos os momentos em que se pega curtindo as loucuras das seis cordas distorcidas, mas é no embalo do baixo que seu corpo pulsa e sente a harmonia. Talvez seja importante destacar que Mark Ronson – um cara que entende da trinca música-banda-e-balanço-dos-quadris – que já trabalhou com Amy Winehouse e Bruno Mars – está na produção do álbum.
Com apenas nove músicas, Villains não dá espaço para o erro ou repetição de ideias. “Domesticated Animals” é arrastada e centrada nos seus riffs, enquanto “Fortress” flui com naturalidade. “Un-Reborn Again” parece uma faixa comum do QOTSA, mas com as teclas de Fertita à frente, ao invés de guitarras, mas “Hideaway” parece fazer a mesma coisa com ainda mais graça – e em menos tempo. Os riffs de “The Evil Has Landed” faz o Queens Of The Stone Age soar Led Zeppelin como nunca – e se ainda não reparou nos baixos deste disco, repare nesta faixa pelo menos! E o final mais grave com “Villains Of Circumstance” é um dos únicos vislumbres que temos do tom de …Like Clockwork.
Nem tudo precisa ser político para ser bom, relevante e importante. Mas após as críticas do álbum anterior e do atentado terrorista em Paris durante o show do Eagles Of Death Metal, era irresistível pensar que os vilões do título seriam uma referência ou metáfora à política dos EUA e do mundo. Segundo Homme, não é. Mesmo assim, 'Villains' é um álbum muito bom e com charme próprio. Não supera a maioria dos trabalhos que a banda já apresentou no passado, mas se mantém num patamar de respeito, flexibilizando seu som mais um pouco e nem por isso deixando de soar torta ou século 21.
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Jornalista e repórter fotográfico, é editor do site Rock On Board, repórter colaborador no site Midiorama e apresentador do programa "ARNews" e "O Papo é Pop" nas rádios Oceânica FM (105.9) e Planet Rock. Também foi Editor-chefe do Portal Rock Press e colunista do blog "Discoteca", da editora Abril. Desde 2005 participa das coberturas de grandes festivais como Rock in Rio, Lollapalooza Brasil, Claro Q é Rock, Monsters Of Rock, Summer Break Festival, Tim Festival, Knotfest, Summer Breeze, Mita Festival entre outros. Na lista de entrevistados, nomes como Black Sabbath, Aerosmith, Queen, Faith No More, The Offspring, Linkin Park, Steve Vai, Legião Urbana e Titãs.
quarta-feira, 15 de junho de 2016
Queens Of The Stone Age prepara disco novo; afirma Josh Homme
Foto: Andrew Witt
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| QOTSA: novo disco é prioridade na agenda de Josh Homme |
"Esse retorno do QOTSA é a prioridade da minha agenda. Mesma formação, estamos concentrados. Teremos uma reunião para decidir o que fazer".
Este será o sétimo disco de carreira da banda, que foi formada em 1996 na Califórnia. A formação atual do Queens Of The Stone Age conta com Josh Homme, Troy Van Leeuwen (guitarra), Michael Shuman (baixo), Dean Fertita (guitarra/teclados) e Jon Theodore (bateria). O grupo já veio ao Brasil quatro vezes, sendo a primeira no Rock in Rio em 2001. Após demorarem mais de uma década para retornar ao país (Lollapalooza 2012), eles mantiveram uma presença constante por aqui. Fizeram dois shows solos em 2014 e ainda voltaram no ano seguinte para se apresentarem no Rock in Rio 2015 (saiba como foi AQUI).
Após entrar em hiato com o QOTSA, Josh Homme gravou com Iggy Pop, o ótimo Post Pop Depression, cuja resenha do mesmo você pode conferir AQUI.
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Jornalista e repórter fotográfico, é editor do site Rock On Board, repórter colaborador no site Midiorama e apresentador do programa "ARNews" e "O Papo é Pop" nas rádios Oceânica FM (105.9) e Planet Rock. Também foi Editor-chefe do Portal Rock Press e colunista do blog "Discoteca", da editora Abril. Desde 2005 participa das coberturas de grandes festivais como Rock in Rio, Lollapalooza Brasil, Claro Q é Rock, Monsters Of Rock, Summer Break Festival, Tim Festival, Knotfest, Summer Breeze, Mita Festival entre outros. Na lista de entrevistados, nomes como Black Sabbath, Aerosmith, Queen, Faith No More, The Offspring, Linkin Park, Steve Vai, Legião Urbana e Titãs.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
Discos: Iggy Pop (Post Pop Depression)
Foto: Divulgação
IGGY POPPost Pop Depression
Loma Vista Recordings; 2016
Por Lucas Scaliza
Não sei quando Dave Grohl se tornou unanimidade quando se fala no “cara mais legal do rock” e nem quem o elevou a este patamar, mas certamente quem acreditou nisso esqueceu-se completamente de Iggy Pop, um ícone do estilo, com uma enorme bagagem nas costas e ainda mandando ver ao vivo e em estúdio, sempre conservando a personalidade carismática, cheia de atitude e legítima como poucos famosos conseguem manter por tanto tempo. Aos 68 anos, o cantor e compositor continua sendo uma referência e mostrando gás para fazer as coisas diferentes.
E se Iggy Pop é o cara mais legal, Josh Homme é o melhor parceiro by far. Não só comanda uma das bandas mais modernas do rock – o Queens Of The Stone Age, caso ainda não saiba –, como também faz virar ouro (ou quase) tudo o que toca, seja um pretensioso projeto com vários amigos no meio do deserto (Desert Sessions), seja um rock direto, divertido e despretensioso (Eagles of Death Metal) ou então uma superbanda como o Them Crooked Vultures, que reuniu Homme (guitarra e vocal), Grohl (bateria) e o baixista John Paul Jones (do Led Zeppelin). Sem falar que foi Homme o produtor que ajudou a dar o direcionamento mais maduro ao som dos ingleses do Arctic Monkeys.
Post Pop Depression é o resultado da união do carisma de Iggy Pop com as habilidades de produtor e diretor musical de Josh Homme (backing vocal e guitarra). O disco todinho é bastante divertido, muito orgânico e reflete a personalidade de ambos. Contudo, embora seja para Iggy brilhar, sente-se a presença de Homme na estrutura musical da primeira até a última faixa, seja nas escolhas harmônicas, nos timbres de guitarra ou nos breaks. A linha de guitarra em “In The Lobby” aspira transformá-la numa canção do QOTSA, aliás.
Como foi Iggy que mandou um mensagem para Josh e sugeriu que fizessem algo juntos, suspeito que o antigo líder dos Stooges queria justamente colocar sua voz nas produções do líder do QOTSA, confiando plenamente em seu discernimento e poder de composição. Não é por acaso que a banda que acompanha o cantor é reforçada por Dean Fertita (tecladista do QOTSA, guitarrista do The Dead Weather e que também foi tecladista na última turnê de Jack White) e o baterista Matt Helders, o cara mais cheio de atitude do Arctic Monkeys. Ao vivo, o quarteto principal ganha o reforço de Matt Sweeney no baixo e Troy Van Leeuwen (também do QOTSA, Desert Sessions, EODM e A Perfect Circle) na guitarra.
Iggy Pop é uma das estrelas do rock que melhor soube utilizar sua voz com a chegada da terceira idade. O registro grave lhe cai bem e cai bem às músicas que faz, tendo um timbre muito particular e ainda cantando com emoção e muita graça, como tão bem ilustra “Gardenia” em Post Pop Depression. Nick Cave, Tom Waits e Leonard Cohen também envelheceram com a voz em forma. Já “Vulture” é o tipo de música estranha em que Pop se aproxima do saudoso Lou Reed e entrega uma interpretação animalesca. Cabe lembrar aqui da excelente participação do vocalista na música “Astray Dog”, do último disco do New Order, Music Complete (2015).
Embora seja um disco de rock, Pop e Homme conseguem diversificar a obra incluindo um pouco de dance em “Sunday”. A bateria de Helders e o baixo mantém a música funcionando como uma música para as pistas, mas são as guitarras sujas de overdrive que fazem os arranjos no lugar de efeitos eletrônicos ou dos teclados. Esse é o tipo de decisão artística que torna Post Pop Depression tão orgânico e tão característico da dupla que o criou. Não dá para deixar de citar “German Days”, em que o vocal abusa do vibrato. O passo da canção é lento, mas as guitarras são ansiosas e criam o ambiente roqueiro alternativo, deixando para o baixo a tarefa de marcar a harmonia e a base da música, bem ao estilo do The Dead Weather.
Mas nem tudo é estranhismos no álbum. “Chocolate Drops” é mais comum, marcada pela troca de acordes e sem arranjos excêntricos, tão amigável quanto “Gardenia” e “Break Into Your Heart”. “Paraguay” fecha o disco mostrando seu lado mainstream na primeira metade e a faceta mais agressiva do quarteto no final. Assim, Post Pop Depression cumpre seu papel de disco de rock, oferecendo algumas pirações (de leve) para quem gosta de uma pegada mais alternativa e também canções mais digeríveis e, ainda assim, com diversos detalhes que as tornam valiosas e nada banais. Essa é, afinal, a especialidade de Josh Homme: não é que a composição seja sofisticadíssima ou complexa, mas um detalhe na forma de tocar, o lugar onde colocam uma acentuação, um break ou forma de lidar com os acordes fazem a diferença entre uma música bastante comum e vulgar e outra com algo a se prestar atenção.
O disco foi todo gravado em segredo no estúdio caseiro de Homme em Joshua Tree. Após trocarem algumas letras e ideias, o grupo começou a trabalhar em composições ainda não finalizadas. Em apenas três semanas gravaram tudo o que era preciso (contando uma semana de produção em Burbank). Este trabalho foi um dos fatores que ajudou Homme a lidar com as semanas seguintes após os ataques terroristas de Paris em novembro, quando pessoas foram mortas e feitas refém durante um show do EODM.
O clima do álbum não é exatamente feliz, já que lida com a sensação de chegar ao fim de sua vida útil e o legado que vai deixar neste mundo. Reflete como Iggy Pop tem se sentido nos últimos anos, mais fazendo aparições e participações especiais do que gravando e precisando sair em turnês longas pelo mundo para divulgar seus discos. Ele ainda se apresenta e ainda dá tudo de si, mas já diz que quer se aposentar. Dá para imaginar um mundo em que o pai do punk vai aparecer menos, gravar menos e cantar menos nos palcos? É por isso que o nome Post Pop Depression cai bem ao trabalho. Mesmo assim, está longe de ser um álbum triste ou carregado de bad feelings. E nem vai ser o último, caso ele continue vivo para nos presentear mais algumas vezes com sua voz grave e atitude roqueira legítima.
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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
Songs For The Deaf - o melhor disco de rock dos anos 00's
Foto: Ilustração
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| O terceiro disco do QOTSA foi a pedra da salvação do rock 2000 |
De quantos em quantos anos podem surgir discos capazes de causar permanência fixa na pele do rock?
Rústico, hipnótico e extremamente preciso, o terceiro álbum do Queens Of The Stone Age – que na época começava a se tornar a “nova salvação do rock” – possui uma sonoridade tão espiritualmente rock and roll, que chega a ser duvidoso o fato de não ter sido concebido em meados da década de setenta.
Após receberem aclamação mundial em Rated R, muito pelo o sucesso do hino “Feel good Hit Of The Summer”, o QOTSA já ostentava a fama de representante do stoner rock. A banda, que era quase um projeto solo do excepcional Josh Homme, mantinha-se naquele momento apenas com Nick Oliveri (baixo), e contava com a participação de Mark Lanegan (Screaming Trees) atuando como um segundo vocalista. Mas o grande "achado" do disco foi a presença ilustre de Dave Grohl na bateria. Grohl afirmou na época, que esse era o seu melhor registro em estúdio desde Nevermind, quiçá a melhor coisa que ele fez na vida.
O som é maciço, o caos é mais calculado. Riffs impressionantes, velocidade, e guitarras que cospem acordes e notas como uma máquina desgovernada. É cheio de clichês, de metal, mas eles sabem. Fazem exatamente o que os fãs esperam: usam o conhecimento estereotipado de rock em uma viciosa trilha. É fantástico, e não, não estou falando do disco inteiro. Isso é apenas a primeira faixa ("You Think I Ain't Worth A Dollar, But I Feel Like A Millionaire"). A canção seguinte, "No One Knows", é igualmente genial. Vocal fantasmagórico em harmonia, baixo pulsante e um Dave Grohl inspiradíssimo – atente ao solo de bateria no meio-fim da música. Mantendo um ritmo de marca-passo com uma guitarra esplendorosa, Homme passeia falsetes e uma melodia excitante. A voz do sujeito é extremamente peculiar – sutil, imponente e sacana.
A inteligência mordaz do grupo, que permeia muitas das canções, acaba dando um ar de espontaneidade ao disco. Desde a guitarrinha surf-oscilante em "Another Love Song", e o ritmo cerebral de "Six Shooter" (que parece ser obra de alguma orquestra doentia), Songs For The Deaf demonstra variações musicais constantes. É de um entorpecimento sonoro altamente perturbador, que dá prazer pelo simples fato de ser... Delicado! Mas é rock! É talvez um dos poucos discos de rock – verdadeiramente falando, tradicionalmente constatado – que se teve notícia desde que o grunge se foi, e o nu-metal invadiu o mainstream. O grande mérito de Songs For The Deaf não é ser apenas um bom disco de rock, mas soar rock em plenos anos 2000 - onde ninguém mais queria ou conseguia ser - e mesmo assim alcançar a tão buscada originalidade.
Para quem não sabe, a capa do disco mantém diferentes versões. A mais popular, que inclusive virou uma espécie de logomarca da banda, é o Q em forma de um óvulo sendo invadido por um espermatozoide. Há também vinis vermelhos com essa arte espalhados pelo mundo. Recentemente, a Ipecac Recordings (selo de Mike Patton) lançou uma versão do disco em vinil duplo, com uma música extra: “Bloody Hammer”. Na maioria das cópias, Songs For The Deaf é finalizado por uma divertida versão de “Everybody's Gonna Be Happy”, do Kinks.
Após esse disco, o Queens Of the Stone Age se despediu de Dave Grohl, e demitiu Nick Oliveri – várias versões pipocaram nos bastidores, mas a alegação foi mesmo das tais diferenças pessoais com Josh Homme. O grupo ainda gravou mais três trabalhos de estúdio: o também excelente Lullabies To Paralyze, o sujo - mas não tão brilhante - Era Vulgaris e o aclamado Like Clockworck.
Embora não tenha sido um marco para o mercado (vendeu aproximadamente um milhão de cópias), Songs For The Deaf mantém até hoje uma extrema importância para a história do rock mundial. Afinal, nenhum disco representou tão bem o gênero na década passada como este lançado pelo Queens Of The Stone Age em 2002.
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sexta-feira, 25 de setembro de 2015
Rock in Rio 2015: Queens Of The Stone Age toca alto no Palco Mundo
Foto: Adriana Vieira
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| Josh Homme não economizou no volume de sua guitarra |
A apresentação do Queens Of The Stone Age no Rock in Rio serviu para comprovar mais uma vez que o grupo continua insuperável em cima dos palcos. Poucas bandas na atualidade conseguem alcançar o nível de sonoridade e feeling do quinteto. A performance dos caras é tão imponente, que parece não haver pausa entre uma música e outra. Mesmo desprezando seus dois primeiros discos - com exceção de uma descaracterizada "Regular John" -, a banda conseguiu juntar um repertório suficiente para satisfazer os fãs e sair de palco com o jogo ganho. Este foi também o melhor som do festival em termos de equalização e volume dos PA's (que estava ensurdecedor).
Com um repertório baseado principalmente no seu último disco (Like Clockwork...), o grupo iniciou a pauleira ao som de "You Think I Ain't Worth a Dollar, But I Feel Like a Millionaire", do consagrado Songs For The Deaf. Na seqüência, o hit marca-passo "No One Knows" e - a já bastante popular - "My God Is The Sun". O show ainda contou com alguns sucessos menos rebuscados, como "Sick, Sick, Sick" do disco Era Vulgaris, e outros já bastantes consagrados ("Litte Sister" e "Go With The Flow"). No final, a pancada "Songs For The Dead" fez o nível de decibéis chegar ao limite na Cidade do Rock.
Como o grupo esteve no país recentemente, o show do Rock in Rio soou sem qualquer novidade para alguns fãs da banda. Mas vale lembrar que eles só fizeram dois shows divulgando o novo disco por aqui - e estes foram em São Paulo e Porto Alegre. E levando-se em conta a performance do grupo nesta noite, temos a convicção que não há mal nenhum se eles decidirem repetir este mesmo número em todas as outras capitais brasileiras!
Foto: Adriana Vieira
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| Queens Of The Stone Age em ação no Rock in Rio 2015 |
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terça-feira, 9 de dezembro de 2014
Rock in Rio confirma Queens Of The Stone Age
O Queens Of The Stone Age é mais uma atração que acaba de ser confirmada para a edição brasileira do Rock in Rio, que acontece em setembro, na Cidade do Rock, no Rio de Janeiro. A banda californiana tocará antes de System of a Down. Essa será a segunda vez que o grupo liderado por Josh Homme se apresentou na edição de 2001, para um público de 150 mil pessoas - na fatídica apresentação em que o baixista Nick Oliveri tocou completamente nu.
A edição brasileira do Rock in Rio está confirmada para 18, 19, 20, 24, 25, 26 e 27 de setembro de 2015, na Cidade do Rock.
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Queens Of The Stone Age,
Rock in Rio
Jornalista e repórter fotográfico, é editor do site Rock On Board, repórter colaborador no site Midiorama e apresentador do programa "ARNews" e "O Papo é Pop" nas rádios Oceânica FM (105.9) e Planet Rock. Também foi Editor-chefe do Portal Rock Press e colunista do blog "Discoteca", da editora Abril. Desde 2005 participa das coberturas de grandes festivais como Rock in Rio, Lollapalooza Brasil, Claro Q é Rock, Monsters Of Rock, Summer Break Festival, Tim Festival, Knotfest, Summer Breeze, Mita Festival entre outros. Na lista de entrevistados, nomes como Black Sabbath, Aerosmith, Queen, Faith No More, The Offspring, Linkin Park, Steve Vai, Legião Urbana e Titãs.
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