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sábado, 30 de abril de 2016

No Rio, Marky Ramone frustra fãs ao terminar o show antes do previsto

Foto: Felipe Diniz
Marky Ramone frustrou seus fãs ao abandonar o palco sem se despedir

Por Rom Jom

Sim, é verdade. Marky Ramone abandonou o palco após 47 minutos de show, causando a ira dos fãs, que vaiaram o espetáculo. Mas a noite até que começou bem. Ainda que a casa estivesse com a metade de sua capacidade ocupada, a energia estava ótima. A Marky Ramone’s South American Blitzkrieg” trouxe ao Brasil, além do baterista, o guitarrista Marcelo Gallo e o baixista Alejandro Viejo. Já o vocal, esteve muito bem representado por Oscar Chinellatto. "Rockway Beach"abriu a noite de celebração “Ramonística”, que de acordo com a produção, iria comemorar os 40 anos do punk rock mundial. Óbvio que num show desses, a roda de pogo come solta, ainda mais com clássicos punks, como por exemplo: "Teenage lobotomy" (Lobotomy!!! Lobotomy!!!), "Do you Wanna Dance", "Beat on the Breat", "Rock N´Roll High School" e "Surfin´Bird" - todas em velocidade acima do habitual. Da mesma forma foram os hinos consagrados "Judy is Punk" e "Gabba Gabba Hey!!". 

Tudo corria de forma festiva até a banda deixar o palco sem qualquer tipo de cerimônia. Como não houve qualquer despedida formal, muitos não entenderam aquilo como uma simples saída para o bis - conforme foi justificado mais tarde. Nem ao menos um simples "Boa noite", ou algo parecido veio de alguém do palco. As luzes continuaram apagadas por mais de vinte minutos, até que os gritos de “Hey Ho, Lets Go!!” foram entoados por alguns fãs, que pareciam acreditar que o grupo voltaria a qualquer momento. O clima foi ficando realmente estranho, até que as cortinas foram fechadas e um microfone surgiu no meio do palco como se algo fosse ser pronunciado. Mas logo o tiraram dali e as luzes foram acesas, mostrando ao público, da pior forma possível, que sim, tinha acabado mesmo. Ainda incrédulos, muitos não quiseram sair do Imperator, na esperança que a banda voltasse ao show - a maioria realmente não tinha entendido que aquilo ali era um fim. Quem entendeu o recado, vaiou - lógico.

Muitos fãs garantem que o tempo de show seria em torno de 80 a 100 minutos. Já a produção soltou uma nota afirmando que haviam 31 músicas no repertório, sendo que apenas 24 foram executadas. Ao todo tivemos apenas 47 minutos de músicas quase que ininterruptas. Clássicos aguardados, como "Blitzkrieg Bop", "Cretin Hop" e "R.A.M.O.N.E.S", que também estavam no set, não foram executadas - veja a nota da produção no final do texto.

De toda forma, mesmo que Marky Ramone tenha tido um bom motivo para não voltar ao palco ou tenha direito assegurado por contrato, é fato consumado que seus fãs mereciam um melhor tratamento, e - principalmente - respeito. Com isso, a chamada "festa de 40 anos do punk rock" terminou de forma indesejada e mostrou que Marky Ramone deve ter se esquecido do que é ser um punk de verdade. 

Nota de esclarecimento da produção A Grande Roubada:

Infelizmente, por razões pessoais, Marky Ramone decidiu interromper o show de ontem no Rio de Janeiro sem aviso prévio e sem se despedir da plateia, fugindo do padrão usual das suas últimas apresentações. Nossa produção cumpriu com todas as exigências e as cláusulas contratuais, assim como todos os custos envolvidos para a realização do evento foram previamente pagos. Nossas obrigações para com o artista foram cumpridas, porém determinadas condutas do mesmo fogem do nosso controle. 

Pedimos desculpas por quem, assim como nós, esperava mais desse show. Nossos anúncios prometem "cerca de 30 músicas" e a banda tocou 24 faixas do setlist (Rockaway Beach / Teenage Lobotomy / Psycho Therapy / Do You Wanna Dance / I Don't Care / Sheena Is a Punk Rocker / Havana Affair / Commando / I Wanna Be Your Boyfriend / Beat On The Brat / 53rd & 3rd / Now I Wanna Sniff Some Glue / Gimme Gimme Shock Treatment / Rock N Roll Highschool / Oh Oh I Love Her So / Surfin Bird / Judy Is a Punk / I Believe In Miracles / KKK Took My Baby Away / Pet Sematary / Chinese Rock / I Wanna Be Sedated / I Dont Wanna Walk Around With You / Pinhead) faltando apenas voltar para o bis, caso houvesse demanda do público, como em qualquer show. 


Porém, depois que saiu do palco, a banda continuou um tempo fazendo menção de voltar, perto do palco, motivo pelo qual a iluminação e o som continuaram operando no formato do show e aguardando o retorno da banda.


Após o artista decidir não voltar, os procedimentos para o encerramento do show foram tomados: as luzes foram acesas lentamente, as cortinas do palco foram fechadas e tocou a música de encerramento do show no sistema de som da casa (My Way, do Frank Sinatra), como acontece no final de todos os shows da banda, fazendo inclusive que as pessoas vaiassem, por terem entendido que o show tinha terminado sem despedida. 


A produção não se manifestou no palco, pois, quando os shows terminam, os procedimentos tomados são esses citados e, nesse caso específico, só pudemos nos manifestar sobre o assunto após todas as tentativas para reverter a situação e, sem uma explicação oficial da banda, dar alguma satisfação ao público. Entendemos a indignação do fãs e frisamos que cumprimos nossas obrigações da melhor forma possível.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Marky Ramone comemora os 40 anos do punk rock no Imperator

Foto: Divulgação
Marky Ramone promete show com 30 músicas dos Ramones no Imperator
O punk rock está completando quatro décadas de existência e, pra comemorar, o Rio de Janeiro recebe um sobrevivente do estilo, o baterista Marky Ramone, que toca no próximo dia 29 de abril, em edição especial da festa A Grande Roubada, no Imperator. Neste show, o ex-baterista dos Ramones promete executar 30 clássicos da lendária banda. “ São músicas boas demais para deixar de tocar”, avisa o músico.

Marky Ramone é mais conhecido por seus quinze anos como baterista dos Ramones, banda com a qual gravou mais de 15 álbuns e tocou em mais de 1.700 shows. Baterista desde meados de 1970, Marky também gravou com Misfits, Richard Hell & The VoidoidsDust e participou de trabalhos solos de Dee Dee e Joey Ramone

O baterista é acompanhado no show por Marcelo Gallo (guitarra), Alejandro Viejo (baixo) e Oscar Chinellatto (vocais). Em uma entrevista exclusiva para o site Rock On Board em 2014 [leia AQUI], Marky afirmou que o projeto é uma maneira de manter o legado dos Ramones vivo para as novas gerações de fãs.

Beach Combers abrem a noite

Formado no inicio de 2009, no Rio de Janeiro, os Beach Combers não são exatamente um tipo comum de trio. Bernar Gomma (guitarra), Guzz The Fuzz (baixo) e Lucas Leão (bateria) surfam sem medo na onda instrumental, mesclando o som das guitarras magnéticas da surf music à trip lisérgica de garagem dos anos 60. A banda traz em sua bagagem três álbuns e 800 shows pelo país.

Foto: Divulgação
Trio carioca vai abrir a noite no Imperator com seu surf rock garageiro
A Grande Roubada Apresenta:
MARKY RAMONE’S BLITZKRIEG
Local: Imperator (Centro Cultural João Nogueira)
Endereço: Rua Dias da Cruz 170, Méier
Data: 29 de Abril - Sexta
Horário: 20h
Abertura: Beach Combers
Entre os shows: DJ Wagner Fester
-INGRESSOS-
1º lote: R$ 120 / R$ 60 (meia entrada*)
2º lote: R$ 160 / R$ 80 (meia entrada*) 
3º lote: R$ 180 / R$ 90 (meia entrada*)

* Meia entrada válida com 1kg de alimento não perecível entregue no dia do show. Na compra de ingresso promocional, a doação deve ser entregue na bilheteria no dia do show

Classificação etária: 16 anos

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Marky Ramone fala sobre passado, presente e futuro em entrevista exclusiva

Foto: Bruno Eduardo
Marky Ramone no show do Rock in Rio em 2013
Por Bruno Eduardo

Quando Marky Ramone veio ao Rock in Rio em 2013, a entrevista que estava marcada não aconteceu. Porém, não demorou muito para que o baterista voltasse ao país e nos desse a chance de correr atrás desse prejuízo [agradecimento especial ao Raoni Martins e o pessoal da A Grande Roubada Produções]. Pessoalmente, Marky é um senhor educado, de fala calma, e que gosta de relembrar histórias antigas. É daquele tipo, que ficaria papeando por algumas horas, em qualquer bar punk. Marky não teme o futuro e muito menos tem vergonha do passado. O projeto com Blitzkrieg e Michale Graves comprova que ele sabe cuidar do seu legado. Em uma época que usar camisas com a logomarca dos Ramones virou uma espécie de moda no Brasil, Marky conversou comigo e afirmou que excursiona para cumprir uma missão: a de continuar levando o nome de Joey, Johnny e Dee Dee para as novas gerações.  
  
Muitos fãs consideram o seu projeto como um tributo a Joey, Johnny e Dee Dee. O que você acha disso?

Eu tentei fazer um projeto solo com a minha banda, mas os fãs só queriam ouvir músicas dos Ramones. Então eu disse: tudo bem, eu vou fazer isso. Eu entendo que é toda uma nova geração, e eu sou o único que está fazendo shows, excursionando. Então faço isso para os fãs mais jovens, que não tiveram oportunidade de ver os Ramones juntos.  

Você citou a nova geração de fãs que são influenciados pelo seu trabalho. Todo artista teve seu lado de fã no passado. Como foi com você?

Quando eu tinha oito anos de idade, minha mãe me chamou na sala, e lá na TV estava Ringo (Starr). Então a próxima coisa que eu queria fazer na vida era tocar bateria, porque eu o amava. Já na minha adolescência, eu adorava Mitch Mitchell, Buddy Rich, Ginger Baker do Cream, e também Keith Moon do The Who. Então, posso dizer que minha alma é uma mistura de todos eles.

Podemos dizer que a cidade de Nova York também foi uma forte influência na sua vida musical?

Absolutamente. Nova York era um lugar difícil nos anos 70. Era deprimida economicamente; com greves de lixo por toda parte; e uma grande quantidade de armas, quadrilhas e assassinatos. Felizmente, tivemos CBGB para nos apoiar e tínhamos um lugar para tocar.

Qual é a diferença entre tocar músicas dos Ramones com Johnny, Joey e Dee Dee, e com Michael e os músicos atuais?

Não vejo diferença. Eu toco a mesma coisa, da mesma forma. Talvez eu improvise mais hoje. Eu sinto que muitas das canções dos Ramones precisa de um pouco mais de preenchimento de bateria. Mas gosto de tocar de qualquer forma (risos).

Quando tentei falar com você ano passado, vi que ainda vive ou mantém seu escritório no Brooklyn. Como é viver tanto tempo no mesmo lugar e ver suas transformações? Vocês sempre disseram que o local era muito difícil na década de 70, mas hoje é um dos mais badalados no mundo.

Verdade! O Brooklyn é grande. Por eu ser de lá, fico muito feliz por ver que existe uma cena muito legal de música agora. O incrível é que a sensação de tocar lá nos dias de hoje é tão ou mais forte do que há de 30 anos atrás. É um sentimento de orgulho quando estou no palco. "É O BROOKLYN!"

Você pode citar alguma banda contemporânea que aprecia?

Eu gosto de Riverboat Gamblers; de uma banda americana chamada The Loved Ones; Anti-Flag; e os Gallows.

Fale um pouco sobre o show do Rock in Rio. Como foi a experiência de tocar com o Offspring?

Foi ótimo! Estou acostumado em tocar com mais de uma banda no mesmo dia. Eles (Offspring) sempre se disseram fãs dos Ramones, e nada mais legal que retribuir esse carinho. Os caras são amigos de estrada, e a oportunidade em fazer uma coisa nova para os fãs foi o que me motivou a voltar ao palco. O show com o Blitzkrieg foi muito bom também! Adoro tocar no Brasil. Sempre fui muito bem recebido aqui.